Ao completar 75 anos de atuação no Brasil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) celebra uma trajetória marcada por avanços significativos na garantia dos direitos de crianças e adolescentes. Desde 1950, a entidade atua em parceria com o poder público e organizações sociais em áreas como saúde, educação, proteção e combate à pobreza.
Na época do início das atividades, 158 a cada mil bebês nascidos morriam antes de completar um ano. Hoje, esse número caiu para 12 por mil — uma redução de 90%, considerada um dos principais resultados da atuação conjunta do Unicef com políticas públicas nacionais.
Para marcar a data, o Unicef lançou o livro “UNICEF, 75 anos pelas Crianças e pelos Adolescentes – Uma História em Construção” e a exposição “Passos para o Amanhã”, no Palácio Itamaraty, em Brasília. A mostra apresenta seis esculturas em tamanho real, criadas pelo artista André Alves de Freitas, que representam temas centrais da atuação da organização: vacinação, saneamento, educação, cidadania, redução da mortalidade infantil e mudanças climáticas.
A exposição inclui ainda uma linha do tempo interativa com fatos históricos e avanços conquistados ao longo das décadas. O objetivo é celebrar as conquistas e refletir sobre os próximos passos necessários para assegurar o bem-estar da infância e adolescência no Brasil.
Avanços históricos
A trajetória do Unicef no país começa em 1950, com ações de combate à desnutrição e promoção da saúde materno-infantil no Nordeste. Em 1954, a entidade apoiou o primeiro programa nacional de merenda escolar. Já nos anos 1960, deu suporte às primeiras campanhas de vacinação contra poliomielite.
Outros marcos incluem a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1973, a disseminação do soro caseiro e o incentivo ao aleitamento materno. Em 2004, foi lançado o kit “Família Brasileira Fortalecida”, voltado à prevenção da mortalidade infantil.
O Unicef também participou da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e atuou na implementação de políticas públicas como o Programa Saúde da Família e os Agentes Comunitários de Saúde.
Durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022, a organização levou água potável, higiene, internet e apoio psicossocial a comunidades vulneráveis, alcançando mais de 17 milhões de pessoas.
Iniciativas recentes e desafios futuros
Entre os projetos atuais, destaca-se o Selo Unicef, criado em 1999 e presente em mais de 2 mil municípios de 18 estados brasileiros. A iniciativa reconhece boas práticas em gestão municipal voltadas a crianças e adolescentes.
Outra ação em destaque é a #AgendaCidadeUNICEF, focada no enfrentamento de violências e exclusões nas periferias de grandes centros urbanos. A agenda inclui estratégias intersetoriais em áreas como saúde, educação, proteção e participação cidadã.
Apesar dos avanços, a entidade reforça que ainda há muitos desafios a serem enfrentados, especialmente na redução das desigualdades sociais, acesso à saúde e educação de qualidade, combate à violência contra crianças e adolescentes — em especial meninos negros —, saúde mental, migração e emergência climática.
“A infância e adolescência continuam sendo uma agenda inacabada no Brasil. Precisamos seguir trabalhando com governos, sociedade civil, setor privado e os próprios jovens para garantir um presente e um futuro seguros e prósperos”, afirmou Youssouf Abdel-Jelil, representante do Unicef no Brasil.
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