Um adolescente de 14 anos foi apreendido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro após confessar ter assassinado os pais e o irmão caçula, de apenas 3 anos, em Itaperuna, no noroeste fluminense. Antes de admitir o crime, o jovem apresentou uma versão fantasiosa às autoridades, alegando que os pais teriam desaparecido ao levar o irmão a um hospital, após ele supostamente engasgar com um caco de vidro.
De acordo com o delegado Carlos Augusto Guimarães, o crime aconteceu no último sábado (21), quando o adolescente pegou a arma do pai — registrada como CAC (Colecionador, Atirador e Caçador) — e atirou contra as vítimas enquanto dormiam. Em seguida, espalhou produto químico pelo chão da casa, arrastou os corpos até uma cisterna e tentou ocultá-los.

O caso veio à tona somente na terça-feira (24), quando a avó do garoto procurou a 143ª DP acompanhada do neto após dias sem conseguir contato com os familiares. O menor repetiu a falsa versão do engasgamento do irmão e da suposta ida dos pais ao hospital. Como não havia registros médicos compatíveis com o relato, a polícia decidiu vistoriar a casa.
Durante a perícia, foram encontrados manchas de sangue em colchões e roupas, além de sinais de queima e um forte odor vindo da cisterna, onde os corpos foram localizados. Confrontado com as evidências, o adolescente confessou o crime.
Segundo a polícia, ele relatou que atirou na cabeça do pai e da mãe, e no irmão, atingiu o pescoço. Quando questionado sobre o motivo de ter matado o irmão, respondeu que queria “poupá-lo da dor de perder os pais”.
Motivação em apuração
Duas hipóteses estão sendo investigadas. A primeira envolve um relacionamento virtual com uma adolescente de 15 anos, moradora do Mato Grosso, com quem o jovem teria planos de viajar. Os pais teriam proibido a viagem, o que pode ter motivado o crime. Uma bolsa de viagem pronta com os celulares das vítimas foi encontrada na casa. A Polícia Civil entrou em contato com autoridades do Mato Grosso para localizar a adolescente.
A segunda linha de investigação é financeira. O menor teria pesquisado no celular “como receber FGTS de falecido”, sugerindo possível interesse em acessar valores devidos ao pai, estimados em R$ 33 mil.
“Seja por dinheiro ou pelo relacionamento, ambas as motivações são consideradas fúteis”, explicou o delegado.
Frieza e ausência de remorso
As autoridades também destacaram a frieza do menor durante o depoimento. Ele contou que tomou um suplemento pré-treino para se manter acordado, esperou que todos dormissem e então pegou a arma, escondida sob o colchão do pai. O delegado relatou que o adolescente não demonstrou arrependimento e afirmou que “faria tudo de novo”.
“É um menino frio, calculista, sem remorso. Durante o depoimento, falava com naturalidade sobre os disparos. As respostas eram rápidas, objetivas, com um tom de autoafirmação constante. Há indícios de traços psicopáticos e possibilidade de premeditação”, declarou Guimarães.
O jovem foi apreendido e irá responder por ato infracional análogo aos crimes de triplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O caso segue em investigação pela Polícia Civil.
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