Neste sábado, 18 de maio, o Brasil volta os olhos para uma data fundamental: o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em meio à conscientização, um dado alarmante se destaca: o país registrou, em 2023, quase 72 mil denúncias sobre veiculação de imagens de abuso sexual infantil na internet, segundo levantamento da ONG SaferNet. O número supera o recorde anterior de 2008, quando foram contabilizadas mais de 56 mil ocorrências.
Para a psicóloga Bianca Orrico, coordenadora da SaferNet Brasil, três fatores impulsionaram esse crescimento: o avanço acelerado da Inteligência Artificial, o aumento da venda de conteúdo sexual autogerado por adolescentes e a redução das equipes de segurança das plataformas digitais, resultado das demissões em massa nas big techs.
Segundo Bianca, o ambiente digital cada vez mais acessado por crianças e adolescentes — como jogos online e redes sociais — se torna terreno fértil para aliciadores. Por isso, o diálogo constante entre pais e filhos é a chave para a prevenção.
“É essencial discutir a relação da criança com o próprio corpo, explicar que a intimidade não deve ser invadida por ninguém — nem por pessoas que aparentam ser amigas na internet. As crianças precisam entender como proteger seus dados e como agir diante de situações de risco”, afirmou a psicóloga.
A orientação deve incluir práticas básicas de segurança digital, como saber bloquear contatos indesejados, denunciar perfis suspeitos e fazer escolhas mais seguras online.
Vigilância compartilhada
O advogado Pedro Mendes, do Instituto Alana, ressalta que a responsabilidade pela proteção digital das crianças deve ser compartilhada entre pais, plataformas e sociedade. Ele cita pesquisa do próprio instituto, de 2023, que mostra que 88% das crianças de 9 a 17 anos têm perfis em redes sociais, muitas vezes expostas a conteúdos impróprios.
“Essas plataformas são desenvolvidas para gerar engajamento e lucro, mas também têm o dever legal e moral de proteger os usuários mais vulneráveis. Precisamos cobrar medidas ativas de proteção e evitar que a responsabilidade recaia apenas sobre as famílias”, destaca Mendes.
Além da Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a obrigação de proteger a imagem, integridade física, psíquica e moral das crianças, inclusive no meio digital.
Neste 18 de maio, o alerta se renova: proteger crianças e adolescentes é um dever de todos. O combate à exploração sexual online exige ação, atenção e empatia — tanto no ambiente doméstico quanto nas políticas públicas e práticas corporativas.
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