A praticidade dos aplicativos de entrega de comida pode estar associada a uma rotina menos saudável, marcada por longas jornadas de trabalho, mais tempo diante de telas e menor frequência no preparo das próprias refeições.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais avaliou 839 adultos e identificou padrões de comportamento entre usuários de plataformas de delivery.
Do total analisado, 76% disseram já ter utilizado algum serviço de entrega de comida. Outros 27% afirmaram fazer pedidos pelo menos uma vez por semana.
Lanches aparecem entre os pedidos frequentes
Um dos principais pontos observados está no tipo de alimento escolhido pelos consumidores.
Lanches com alto teor de sódio, gordura e elevada quantidade de calorias aparecem com frequência entre os pedidos realizados pelas plataformas.
Esse padrão alimentar pode contribuir para uma dieta de menor qualidade quando se torna recorrente.
Ao longo do tempo, o consumo frequente de alimentos muito calóricos e ricos em gordura e sódio também pode favorecer ganho de peso e aumentar fatores de risco associados a doenças crônicas.
Promoções podem influenciar escolhas
O estudo também chama atenção para a forma como os produtos são apresentados dentro dos aplicativos.
As plataformas não funcionam apenas como uma lista de restaurantes e refeições disponíveis. Promoções, descontos e combinações de produtos podem influenciar a decisão do consumidor.
Entre as estratégias estão ofertas do tipo “compre um e leve dois”, combos com sanduíche, bebida e sobremesa e vantagens como entrega gratuita.
Essas ferramentas podem tornar opções de menor qualidade nutricional mais atraentes, principalmente quando estão associadas a preços promocionais.
Rotina de trabalho pesa na decisão
A ocupação profissional também apareceu relacionada ao uso dos aplicativos.
Pessoas que trabalham em período integral apresentaram maior frequência de pedidos por delivery.
Uma das possíveis explicações está na falta de tempo para comprar ingredientes e preparar as próprias refeições depois de jornadas prolongadas de trabalho.
Por outro lado, desempregados e trabalhadores informais relataram menor utilização das plataformas.
Nesse grupo, fatores financeiros podem limitar os pedidos, enquanto uma maior disponibilidade de tempo pode favorecer o preparo de alimentos em casa.
Mais tempo sentado e diante de telas
Os pesquisadores também observaram que usuários frequentes de delivery apresentavam outros comportamentos associados ao sedentarismo.
Entre eles estavam períodos maiores sentados, mais tempo diante de telas e menor participação em atividades domésticas relacionadas ao preparo dos alimentos.
Esses fatores não significam que os aplicativos sejam responsáveis diretamente por uma rotina sedentária, mas mostram que o uso frequente pode fazer parte de um conjunto mais amplo de hábitos.
Delivery não precisa ser sinônimo de alimentação ruim
Os resultados não indicam que pedir comida por aplicativo seja necessariamente prejudicial.
O impacto depende da frequência, das escolhas feitas dentro das plataformas e da qualidade geral da alimentação ao longo da semana.
Refeições com vegetais, proteínas, grãos e preparações menos processadas também podem ser encontradas nos aplicativos.
O ponto de atenção está em transformar produtos muito calóricos, ricos em gordura, sódio e açúcar em escolhas rotineiras.
Pesquisa analisou adultos ligados a universidades
O levantamento utilizou informações de um projeto sobre hábitos de vida e padrões alimentares de adultos ligados a instituições de ensino superior.
A base também reuniu participantes relacionados a universidades federais do Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Paraná.
Os resultados reforçam que a relação entre alimentação e aplicativos de entrega vai além do pedido feito pelo celular.
Tempo disponível, condições de trabalho, renda, atividade física e estratégias comerciais das plataformas também podem influenciar o que chega à mesa.
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