Diário da Guanabara
  • Cidade
  • Colunistas
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • D+NEWS
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Diário da Guanabara
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Saúde

Pesquisa brasileira investiga substância que pode ajudar na recuperação de lesões na medula espinhal

Estudo desenvolvido na UFRJ avalia o potencial da polilaminina para estimular regeneração nervosa, mas cientistas destacam que ainda são necessários novos testes.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
08/03/2026 - 16:55
em Saúde
Pesquisadores da UFRJ estudam a polilaminina, substância que pode auxiliar na recuperação de lesões na medula espinhal. Estudos clínicos ainda estão em fase inicial.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

Leia Também

Hospital em Porto Alegre oferece teste sanguíneo para investigar Alzheimer. Exame custa cerca de R$ 3 mil e exige avaliação médica.

Novo exame de sangue amplia investigação do Alzheimer no Brasil; entenda como funciona

16/10/2026 - 11:36
Câncer de mama também atinge homens. Dados da SBRT apontam mais de 2 mil registros masculinos entre 2020 e 2023 e reforçam a importância do diagnóstico precoce.

Câncer de mama também atinge homens e pode ser descoberto tardiamente

13/10/2026 - 17:57

Uma descoberta científica realizada no Brasil tem despertado interesse da comunidade científica nacional e internacional. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) investigam o potencial da polilaminina, uma substância que pode abrir novas possibilidades de tratamento para pessoas com lesões na medula espinhal.

Apesar da expectativa gerada pelos resultados iniciais, especialistas ressaltam que ainda são necessários estudos mais amplos para confirmar a segurança e a eficácia da técnica.

A pesquisa é liderada pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho e vem sendo desenvolvida há mais de 20 anos.

Durante grande parte desse período, o trabalho ficou concentrado na fase pré-clínica, etapa em que cientistas realizam experimentos em laboratório antes de iniciar testes com seres humanos.

Nesse estágio inicial, os pesquisadores analisaram o comportamento da substância em culturas de células e em estudos com animais. O objetivo era identificar possíveis benefícios e avaliar eventuais riscos antes de avançar para testes clínicos em pacientes.

Descoberta ocorreu de forma inesperada

A origem da polilaminina surgiu durante experimentos com laminina, uma proteína presente em diferentes tecidos do corpo humano. Durante um processo de separação dos componentes dessa proteína por meio de um solvente, a pesquisadora observou um resultado diferente do esperado.

Em vez de se dividir, as moléculas passaram a se agrupar, formando uma espécie de rede. Essa nova estrutura recebeu o nome de polilaminina. Embora exista naturalmente no organismo, ela nunca havia sido reproduzida em laboratório dessa maneira.

A partir dessa observação, a equipe iniciou uma série de estudos para entender como essa rede molecular poderia ser aplicada em tratamentos médicos.

Possível papel na regeneração nervosa

Pesquisas posteriores indicaram que a laminina tem papel importante no funcionamento do sistema nervoso. A proteína atua como uma espécie de base que auxilia no crescimento dos axônios, estruturas dos neurônios responsáveis por transmitir sinais entre o cérebro e o restante do corpo.

Quando ocorre uma lesão na medula espinhal, esses axônios podem ser rompidos, interrompendo a comunicação entre o cérebro e determinadas regiões do organismo. Esse processo pode provocar perda de movimentos ou paralisia.

Como as células nervosas apresentam capacidade limitada de regeneração, recuperar essas conexões é um dos maiores desafios da medicina. A hipótese dos cientistas é que a polilaminina possa funcionar como uma espécie de suporte para estimular o crescimento desses axônios e ajudar na reconexão dos circuitos nervosos.

Primeiros testes com pacientes

Após resultados considerados promissores em estudos com ratos, a equipe realizou um estudo piloto entre 2016 e 2021 envolvendo oito pacientes com lesões completas na medula espinhal.

Os voluntários haviam sofrido traumas graves, como acidentes de trânsito, quedas ou ferimentos por arma de fogo. Além da aplicação da polilaminina, a maioria dos participantes também passou por cirurgia de descompressão da coluna, procedimento comum em casos de trauma medular.

Durante o acompanhamento, três pacientes morreram em consequência da gravidade das lesões. Entre os cinco sobreviventes, todos apresentaram algum nível de recuperação motora, embora isso não signifique que todos tenham voltado a andar.

A evolução foi avaliada por meio da escala AIS, utilizada internacionalmente para medir o grau de comprometimento neurológico após lesões na medula espinhal. Nesse sistema, o nível A indica lesão completa, enquanto o nível E corresponde ao funcionamento normal.

Quatro participantes passaram do nível A para o nível C, indicando recuperação parcial de movimentos e sensibilidade. Um dos pacientes chegou ao nível D, o que representa melhora significativa da função motora.

História de recuperação

Entre os participantes do estudo está Bruno Drummond de Freitas, que sofreu uma fratura na região cervical da coluna em 2018 e ficou tetraplégico. Algumas semanas após a cirurgia e a aplicação da substância, ele conseguiu movimentar o dedão do pé.

Segundo o próprio paciente, aquele pequeno movimento representou um marco em seu processo de recuperação. A partir daí, iniciou um longo período de fisioterapia e reabilitação intensiva.

Com o tempo, ele recuperou gradualmente outras funções motoras e hoje consegue caminhar normalmente, apresentando apenas algumas limitações em movimentos das mãos.

Cautela da comunidade científica

Apesar dos resultados observados no estudo piloto, os cientistas ressaltam que os dados ainda são preliminares. Pesquisas médicas seguem etapas rigorosas justamente para evitar conclusões precipitadas.

Em alguns casos, pacientes com lesões medulares podem apresentar recuperação espontânea. Por isso, é necessário realizar estudos com um número maior de participantes e utilizar métodos comparativos para confirmar os efeitos do tratamento.

Próximas etapas da pesquisa

O desenvolvimento de novos medicamentos ou terapias costuma passar por três fases principais de testes clínicos.

Na fase 1, o foco é avaliar a segurança da substância e entender como ela se comporta no organismo humano. Essa etapa geralmente envolve um número reduzido de voluntários.

No caso da polilaminina, os testes clínicos iniciais devem envolver cinco pacientes com lesão medular aguda. A aplicação será feita diretamente na medula espinhal durante procedimento realizado no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Durante o acompanhamento, médicos e pesquisadores irão monitorar possíveis efeitos adversos e realizar exames neurológicos e laboratoriais para identificar eventuais riscos.

Se os resultados confirmarem a segurança da substância, o estudo poderá avançar para a fase 2, quando o número de participantes aumenta e diferentes doses passam a ser avaliadas. Já a fase 3 envolve grupos maiores de pacientes e comparações com tratamentos existentes.

Regulação e validação científica

Além do trabalho dos pesquisadores, estudos clínicos precisam da aprovação de órgãos regulatórios e comitês de ética. No Brasil, esse processo é acompanhado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por monitorar pesquisas e garantir que os participantes estejam protegidos.

Mesmo após o início dos testes, as investigações continuam sendo avaliadas para garantir que não existam riscos desnecessários.

Expectativa com responsabilidade

A possibilidade de desenvolver um tratamento capaz de ajudar pessoas com lesões na medula espinhal gera grande expectativa, já que essas condições costumam ter impactos profundos na qualidade de vida dos pacientes.

Ainda assim, especialistas destacam que o entusiasmo precisa vir acompanhado de rigor científico. Somente após a conclusão de todas as fases de testes será possível confirmar se a polilaminina poderá se tornar uma alternativa terapêutica segura e eficaz.

Enquanto os estudos continuam, a pesquisa já é considerada um exemplo do potencial da ciência brasileira na busca por soluções inovadoras para desafios médicos complexos.

*Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.

SIGA O DIÁRIO DA GUANABARA NO INSTAGRAM

Tags: #AvancoNaMedicina#CiênciaBrasileira#DescobertaCientífica#EsperancaNaCiencia#MedulaEspinhal#PesquisaCientífica#Polilaminina#SaudeEInovacao#TecnologiaNaSaúde#TratamentoExperimentalUFRJ
Notícia anterior

Ato reúne milhares de mulheres em Copacabana contra feminicídio e violência de gênero

Próxima notícia

Exposição no Rio reúne obras de ex-detentos e familiares para refletir sobre sistema prisional

Próxima notícia
Exposição “Coexistir Coabitar”, no Rio de Janeiro, reúne obras de ex-detentos e familiares e promove reflexões sobre sistema prisional, desigualdade e ressocialização.

Exposição no Rio reúne obras de ex-detentos e familiares para refletir sobre sistema prisional

RECENTES

PSD tenta garantir segundo turno no Rio. Entenda a ação no STF e a mudança na contagem que elegeu Douglas Ruas.

Eleição no Rio vai parar no STF após anulação de 274 mil votos

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 20:35

Programas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferenças sobre Amazônia, bioeconomia, demarcação de terras indígenas e autonomia de comunidades tradicionais.

Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre propostas ambientais

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 16:16

FMI projeta que o Brasil será a oitava maior economia do mundo em 2027, com PIB estimado em US$ 2,8 trilhões, à frente de Itália e Rússia.

Brasil pode chegar à 8ª maior economia do mundo em 2027, prevê FMI

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 15:16

Prazo para estudantes inscritos automaticamente no Enem 2026 escolherem inglês ou espanhol termina neste domingo (18). Questionário socioeconômico também é obrigatório.

Enem 2026: prazo para escolher idioma termina neste domingo

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 15:04

DESTAQUE DA SEMANA

Novo acesso facilita ligação entre Avenida Brasil e Via Dutra no Rio

Novo acesso entre a Avenida Brasil e a Via Dutra foi liberado no Trevo das Margaridas, no Rio, com uma nova rampa para facilitar o trânsito.
Por Redação DGRJ
11/10/2026 - 17:36

Motoristas que trafegam pela Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, passaram a contar com uma nova ligação para acessar a...

Ler mais

COLUNISTAS

Rodrigo Bacellar em Mossoró: a Constituição não para na porta do presídio

Roberto Barbosa
14/09/2026 06:40

Entre o prazer e a felicidade: por que o comum passou a parecer pouco

Karoline Barbosa
07/06/2026 08:50

A beleza da atuação de Fernanda Torres e a injustiça nada poética do Oscar 2025

Francisco Neto Pereira Pinto
05/03/2026 05:27

Mangueira pode ter um dos maiores poetas do país como compositor no próximo Carnaval

Claudia Freitas
27/09/2025 08:50

Zé Pelintra: símbolo de resistência e espiritualidade nos cultos afro-brasileiros

Madame Satã
06/07/2025 07:58

Portugal está se abrasileirando? Cultura, Pix e tensões com imigrantes acendem debate

Pedro Barbosa
28/05/2025 09:05
Diário da Guanabara

Diário da Guanabara Ltda.
Rua São José, nº 40 — Edifício São José
Centro — Rio de Janeiro
CEP: 20010-020

Conheça o Diário da Guanabara
  • Cidade
  • Colunistas
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • D+NEWS

Diário de Guanabara - Criação Web Tchê Digital

Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Cidade
  • Colunistas
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • D+NEWS

Diário de Guanabara - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist