Milhares de mulheres ocuparam a orla da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo (8), durante manifestações que marcaram o Dia Internacional das Mulheres.
O ato reuniu participantes de diferentes idades para denunciar o feminicídio e outras formas de violência de gênero, além de cobrar mais investimentos em políticas públicas voltadas à igualdade.
Durante a marcha, representantes de coletivos feministas se revezaram no carro de som para a leitura do manifesto do movimento.
Entre as principais reivindicações estavam a criminalização de grupos que disseminam ódio contra mulheres, a ampliação das licenças-maternidade e paternidade, a criação de linhas de crédito para mulheres empreendedoras e a implantação de espaços educacionais mais inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes.
Outra pauta recorrente foi o fim da escala de trabalho 6×1.
Apesar da diversidade de demandas, o combate à violência de gênero foi o tema central do protesto. Muitas manifestantes lembraram casos recentes, como a morte de Tainara Souza Santos, atropelada por um ex-companheiro, e o estupro coletivo de uma adolescente ocorrido no mesmo bairro onde a manifestação foi realizada.
Durante a caminhada, as participantes entoaram uma adaptação da música Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio:
“Eu quero é andar sem medo nas ruas. Chega! Queremos viver!
Eu quero é ficar sem medo em casa. Chega! Queremos viver!”
Na linha de frente do ato, artistas em pernas de pau carregavam uma faixa com a frase “Juntas somos gigantes”. Em determinado momento, elas se deitaram no chão de olhos fechados, em referência às mulheres mortas por violência de gênero.
Em seguida, levantaram-se formando um círculo e entoaram palavras de ordem pedindo que todas permaneçam vivas.
Mulheres de diferentes gerações
A manifestação também reuniu mães, filhas e ativistas de várias gerações. A participante Rachel Brabbins levou a filha Amara, de sete anos, que segurava um cartaz com a frase “Lute como uma menina”. Para Rachel, a presença da criança é uma forma de mostrar desde cedo a importância da luta por direitos.
Entre as manifestantes estava também Silvia de Mendonça, militante feminista desde a década de 1980, que participou do ato com uma bandeira estampada com o rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.
Segundo ela, a memória de Marielle representa resistência diante das tentativas de silenciamento de mulheres na política e na sociedade.
Participação masculina e educação
Os organizadores também incentivaram a presença de homens na mobilização. O manifestante Thiago da Fonseca Martins participou do ato acompanhado do filho Miguel, de nove anos, e afirmou que os homens precisam ter um papel ativo na promoção da igualdade e na educação das novas gerações.
Para a participante Rita de Cássia Silva, mudar a cultura de violência contra mulheres passa também pela educação desde a infância.
Segundo ela, práticas misóginas foram naturalizadas por gerações e precisam ser combatidas por meio de conscientização e políticas públicas que apoiem famílias e escolas nesse processo.
*Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












