O perfil da maternidade no Brasil tem passado por transformações significativas nos últimos anos, com mulheres optando cada vez mais por adiar a gestação devido a questões profissionais e financeiras.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 12 anos, o número de mulheres que tiveram filhos após os 40 anos aumentou mais de 65%, enquanto a faixa entre 30 e 39 anos também apresentou crescimento expressivo.
Para muitas mulheres, o adiamento é estratégico. A administradora Andréa Carreiro decidiu ter seu primeiro filho aos 40 anos, após consolidar sua carreira e garantir autonomia financeira. “Sempre fui incentivada a ter independência financeira e entendia que, se quisesse ter um filho, precisaria prover por ele integralmente. Ter essa base material me deu tranquilidade para assumir a maternidade plenamente”, relatou.
Do ponto de vista médico, especialistas reforçam que a idade não é o único fator determinante para uma gestação segura. Newton Ishikawa, especialista em reprodução humana, afirma que hábitos saudáveis e acompanhamento pré-natal são essenciais para reduzir riscos.
“Uma gestante de 42 anos saudável tem melhores condições do que uma de 30 anos com problemas como obesidade, diabetes ou hipertensão. O acompanhamento pré-natal permite rastrear potenciais intercorrências, que podem ocorrer em qualquer faixa etária”, explicou.
O IBGE confirma essa mudança no perfil reprodutivo: a idade média de fecundidade no Brasil passou de 26,3 anos, em 2000, para 28,1 anos em 2020.
A taxa de fecundidade das brasileiras também vem diminuindo nas últimas décadas: de 6,28 filhos por mulher em 1960 para 1,90 em 2010.
Para Andréa, adiar a maternidade foi uma decisão que trouxe benefícios concretos. “Ter meu filho foi um divisor de águas. Primeiro garanti uma base material, e isso me deu uma tranquilidade enorme. Hoje vejo que foi a melhor escolha que poderia ter feito”, afirmou.
O caso dela ilustra um movimento mais amplo de mulheres que priorizam estabilidade financeira, desenvolvimento pessoal e saúde emocional antes de assumir a maternidade, mostrando que a idade não é um impeditivo quando há cuidados médicos adequados.
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