O Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro julga nesta quarta-feira (4) Cíntia Mariano Dias Cabral, acusada de provocar a morte da enteada e de tentar matar o enteado por meio de envenenamento. O caso é conduzido pelo Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAEJURI/MPRJ), em conjunto com a 1ª Promotoria de Justiça que atua junto ao III Tribunal do Júri.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a acusada teria colocado veneno em alimentos servidos aos dois jovens. A enteada Fernanda Cabral, de 22 anos, passou mal após a refeição, foi hospitalizada e morreu depois de quase duas semanas de internação. O enteado Bruno Cabral, que tinha 16 anos na época, também teria sido envenenado meses depois, mas conseguiu sobreviver.
Crime teria ocorrido em 2022
Segundo as investigações, o primeiro episódio aconteceu em 15 de março de 2022, quando Fernanda teria consumido comida preparada pela madrasta. Logo após a refeição, a jovem apresentou sintomas graves de intoxicação e precisou ser levada a um hospital.
Ela permaneceu internada por 13 dias, mas não resistiu às complicações provocadas pelo envenenamento.
Ainda conforme o processo, em maio do mesmo ano, o enteado da acusada também passou mal após ingerir alimento preparado na residência da família. O adolescente foi socorrido e sobreviveu após atendimento médico.
Laudos indicam intoxicação por veneno
Os exames periciais anexados ao processo indicam que as vítimas apresentaram sinais compatíveis com intoxicação exógena causada por carbamato, substância presente no chamado “chumbinho”, um veneno ilegal frequentemente utilizado como raticida.
Segundo os peritos, tanto a morte da jovem quanto as lesões sofridas pelo adolescente foram provocadas por ação química decorrente de envenenamento.
Para o Ministério Público, o crime teria sido motivado por ciúmes da relação dos filhos com o pai, Adeílson Jarbas Cabral, marido da acusada na época dos fatos.
A denúncia sustenta que o ato teria sido praticado por motivo considerado fútil, circunstância que agrava a acusação no processo.
Julgamento havia sido interrompido
O caso já havia começado a ser analisado pelo Tribunal do Júri em outubro de 2025, mas o julgamento foi suspenso após a defesa deixar o plenário. Os advogados alegaram ausência de uma testemunha considerada essencial e solicitaram novas diligências.
Com a retomada da sessão, o processo volta à pauta do Tribunal do Júri da Capital.
Processo nº 0128915-93.2022.8.19.0001
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