No ritmo acelerado do dia a dia, muitas pessoas acabam consumindo suas refeições rapidamente, sem atenção à mastigação ou aos sinais do corpo. Esse hábito comum, segundo especialistas, pode afetar a digestão e aumentar o risco de doenças metabólicas, comprometendo a saúde geral.
O médico especialista em controle de peso Miguel del Mazo explica: “Quando comemos, o corpo envia sinais do estômago ao cérebro para indicar saciedade. Se não prestamos atenção, corremos o risco de exagerar na quantidade, escolher alimentos inadequados e desenvolver problemas como ganho de peso, diabetes, hipertensão e apneia do sono”.
Problemas digestivos causados por comer rápido
Entre os efeitos imediatos está o acúmulo de gases, causado pela mastigação insuficiente, que faz o trato digestivo absorver mais ar, gerando inchaço e desconforto. O organismo tenta compensar por meio de arrotos, flatulência e microbiota intestinal, mas o excesso pode causar dor e sensação de peso, especialmente em fumantes ou pessoas que usam chiclete.
Além disso, o estômago se sobrecarrega quando recebe alimentos mal mastigados, exigindo maior produção de suco gástrico. Isso pode resultar em refluxo, indigestão e absorção inadequada de nutrientes no intestino delgado.
Atenção à saciedade
Comer depressa impede que o corpo perceba a saciedade, já que a leptina, hormônio responsável por sinalizar que o organismo está satisfeito, leva cerca de 20 a 30 minutos para agir. Assim, a ingestão de calorias aumenta, elevando o risco de sobrepeso, obesidade e síndrome metabólica.
Mariana Isabel Valdés Moreno, chefe de nutrição da Universidade Nacional Autônoma do México, alerta que horários irregulares e longos períodos sem alimentação levam a escolhas alimentares menos saudáveis. Um estudo espanhol de 2019 associou a velocidade da alimentação à hipertrigliceridemia, aumentando chances de infarto e AVC.
Como comer de forma consciente
Especialistas indicam que é possível modificar hábitos alimentares. Reservar de 20 a 30 minutos para cada refeição ajuda a sincronizar cérebro e estômago.
A doutora em psicologia Leslie Heinberg recomenda mastigar cada mordida entre 15 e 30 vezes, apoiar os talheres na mesa enquanto mastiga e manter três refeições completas com dois lanches intermediários, respeitando intervalos de ao menos quatro horas. “Comer continuamente impede que o organismo utilize reservas de gordura acumuladas”, alerta Heinberg.
Seguindo essas práticas, é possível reduzir desconfortos digestivos, melhorar a percepção de saciedade e prevenir problemas metabólicos.
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