Dias de calor forte exigem mais do organismo do que muita gente imagina. Para manter a temperatura corporal em níveis seguros, o corpo aumenta a circulação de sangue pela pele e intensifica a transpiração. Nesse esforço para se refrescar, o coração também precisa trabalhar mais.
O impacto merece atenção principalmente entre idosos e pessoas que já convivem com hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes ou outras doenças crônicas. Uma declaração científica da American Heart Association publicada em 2026 aponta que a exposição a temperaturas muito altas está relacionada ao aumento do risco de problemas como infarto, AVC, arritmias e descompensação da insuficiência cardíaca.
O Ministério da Saúde também inclui idosos e pessoas com problemas cardíacos, renais, respiratórios, circulatórios e diabetes entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor.
Por que o coração sofre mais no calor?
Quando a temperatura sobe, os vasos sanguíneos próximos à pele se dilatam para ajudar na liberação do calor. Ao mesmo tempo, a transpiração aumenta e provoca perda de água e sais minerais.
Com menos líquido circulando pelo organismo, o coração pode precisar bater mais rápido para manter o fluxo sanguíneo adequado. A desidratação também pode alterar a pressão arterial e favorecer desequilíbrios de eletrólitos, que participam do funcionamento normal do coração.
A American Heart Association explica que o esforço necessário para resfriar o organismo aumenta a carga cardiovascular. Os efeitos podem ser ainda maiores em quem já apresenta alguma doença do coração.
Idosos precisam de atenção redobrada
Com o envelhecimento, a capacidade do organismo de se adaptar rapidamente às mudanças de temperatura pode diminuir. Além disso, é comum que pessoas mais velhas convivam com doenças crônicas ou façam uso contínuo de medicamentos.
Segundo o CDC, pessoas com 65 anos ou mais têm maior risco de apresentar problemas relacionados ao calor porque podem ter menor capacidade de adaptação às temperaturas elevadas e utilizar medicamentos que interferem na regulação da temperatura corporal ou na transpiração.
Outro ponto importante é a hidratação. Idosos nem sempre percebem a sede com a mesma intensidade e, por isso, familiares e cuidadores devem ficar atentos à ingestão de líquidos ao longo do dia.
Quem tem insuficiência cardíaca, doença renal ou recebeu orientação médica para restringir líquidos não deve simplesmente aumentar o consumo de água por conta própria. Nesses casos, a quantidade adequada deve ser definida pela equipe de saúde.
Medicamentos não devem ser suspensos
Durante os períodos mais quentes, quem usa medicamentos para pressão, coração ou outras doenças crônicas pode ter dúvidas sobre continuar o tratamento.
A orientação é não suspender, reduzir ou aumentar doses sem avaliação profissional. O Ministério da Saúde reforça que, principalmente entre idosos, o acompanhamento dos medicamentos deve ser feito pela equipe de saúde para reduzir riscos de efeitos adversos e interações.
Sinais de que o calor está fazendo mal
Transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náusea, dor de cabeça e cãibras estão entre os sinais associados aos efeitos do calor apontados pelo Ministério da Saúde. Confusão mental, convulsões ou perda de consciência podem indicar um quadro mais grave e exigem atendimento imediato.
Dor no peito, falta de ar intensa, desmaio ou suspeita de infarto ou AVC também são situações de emergência. O SAMU pode ser acionado gratuitamente pelo número 192.
Como reduzir os riscos nos dias mais quentes
Nos períodos de altas temperaturas, a recomendação é permanecer, sempre que possível, em locais frescos e ventilados, evitar atividades físicas intensas nas horas mais quentes, usar roupas leves e manter hidratação regular.
Também é importante diminuir a exposição direta ao sol e dar atenção especial a idosos que vivem sozinhos ou passam muitas horas sem acompanhamento. Familiares, vizinhos e cuidadores podem ajudar verificando se a pessoa está se alimentando, bebendo líquidos e apresentando algum sinal de mal-estar.
O calor pode parecer apenas desconfortável, mas para quem já apresenta maior vulnerabilidade cardiovascular ele representa uma carga extra para o organismo. Pequenos cuidados durante o dia ajudam a evitar que as altas temperaturas terminem na porta de uma emergência.
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