Um diálogo recuperado pelos investigadores que apuram o caso Banco Master colocou sob análise uma conversa de Daniel Vorcaro sobre uma suposta declaração atribuída a um integrante da Polícia Federal. Na troca de mensagens, o empresário mencionou a um parceiro de negócios que um interlocutor identificado apenas como “cara da PF” teria dito que ele poderia “cometer o crime que for”.
A conversa foi registrada em 26 de abril de 2024, quando Vorcaro estava em Londres. As mensagens foram divulgadas pelo jornal O Globo nesta terça-feira (15) e fazem parte do material analisado na investigação.
O conteúdo, porém, não identifica quem seria o policial citado pelo empresário. A referência também não permite concluir, por si só, que a declaração tenha sido efetivamente feita pela pessoa mencionada.
Mensagem foi enviada durante encontro em Londres
Naquele dia, Vorcaro trocou mensagens com o empresário mineiro Flávio Carneiro enquanto participava de atividades relacionadas ao I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado na capital britânica.
Segundo os registros analisados pelos investigadores, os dois conversavam no fim da tarde, período em que ocorria uma degustação de charutos e uísque Macallan no clube George, em Mayfair.
Dados extraídos do celular de Vorcaro indicaram uma despesa de US$ 640.831,88 relacionada ao encontro, valor que correspondia a aproximadamente R$ 3,3 milhões na cotação daquele período.
As mensagens mostram Vorcaro comentando com Carneiro sobre o ambiente do encontro e o clima entre os participantes. Em determinado momento, o empresário respondeu em tom de brincadeira que poderiam criar uma lei contra Vorcaro.
Foi então que surgiu a referência ao suposto integrante da PF. Vorcaro afirmou que o “cara da PF” já teria dito que ele poderia “cometer o crime que for”, acrescentando risadas à mensagem.
Fórum reuniu autoridades brasileiras
A conversa ocorreu no mesmo período do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres entre 24 e 26 de abril de 2024.
A programação oficial do evento registra a participação de diversas autoridades brasileiras em painéis sobre segurança jurídica, eleições e inteligência artificial. Entre os nomes estavam os ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além do então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski.
Também participaram das atividades autoridades como o então diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A documentação oficial do evento registra ainda a presença de integrantes do STJ, TSE, governo federal e outras instituições.
O fórum foi organizado pelo Grupo Voto e teve apoio e participação de representantes dos setores público e privado.
Identidade do “cara da PF” não foi esclarecida
Apesar de a mensagem fazer referência a uma pessoa ligada à Polícia Federal, os registros divulgados não permitem determinar quem seria o interlocutor mencionado por Vorcaro.
A presença de Andrei Rodrigues no evento é documentada, mas isso não significa que ele seja a pessoa citada na conversa. A própria mensagem não apresenta nome, cargo ou outra informação capaz de identificar o suposto interlocutor.
Por isso, a referência feita por Vorcaro permanece sem identificação comprovada no material divulgado.
Outras mensagens também são analisadas
O episódio faz parte de um conjunto maior de mensagens extraídas do celular de Vorcaro durante as investigações sobre o Banco Master.
Segundo informações divulgadas sobre o material, outros diálogos fazem referências a autoridades como Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. Os investigadores também analisam conversas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e assuntos relacionados ao fórum realizado em Londres.
Em uma dessas frentes, mensagens anteriores já haviam mostrado Vorcaro consultando Moraes sobre convidados para o evento. Segundo informações divulgadas pela imprensa a partir do material da investigação, o empresário recebeu orientação para impedir a participação de Joesley Batista no fórum.
Investigação apura relações e contatos
As mensagens são analisadas pelos investigadores no contexto mais amplo da apuração envolvendo o Banco Master e as relações mantidas por Vorcaro com autoridades, empresários e outros participantes do evento.
O conteúdo dos diálogos pode ajudar a esclarecer contatos e circunstâncias relacionadas ao período, mas as mensagens, isoladamente, não comprovam a identidade do suposto integrante da PF nem confirmam que a declaração atribuída a ele tenha ocorrido.
A investigação continua avaliando o conjunto de mensagens, registros e demais elementos reunidos no caso.
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