As brincadeiras de rua, como pique-esconde, queimada, futebol e pique-bandeira, estão cada vez menos presentes na rotina das crianças brasileiras, dando lugar ao uso de celulares, tablets e videogames.
A mudança de comportamento foi destacada neste Dia Mundial do Brincar, que chama atenção para a importância das atividades lúdicas no desenvolvimento infantil.
A transformação reflete mudanças no estilo de vida das famílias e no avanço da tecnologia no cotidiano.
A auxiliar de limpeza Hozana da Silva relata que percebe uma grande diferença entre a infância atual e a de gerações anteriores, marcadas pela convivência nas ruas e pela interação entre crianças em espaços públicos.
Segundo a terapeuta ocupacional Amanda Sposito, da Universidade de São Paulo (USP), fatores como insegurança urbana, redução do convívio comunitário e jornadas de trabalho mais longas dos responsáveis contribuíram para a diminuição das brincadeiras ao ar livre.
Amanda coordena a pesquisa “Tecnologias digitais moldam o novo brincar infantil”, que analisou o comportamento de crianças e identificou impactos do uso excessivo de telas na criatividade e na autonomia.
O estudo aponta que quanto maior o tempo diante de dispositivos digitais, maior a dificuldade de criação de brincadeiras espontâneas fora do ambiente virtual.
Os pesquisadores também observaram um ciclo preocupante: a redução da criatividade leva ao aumento do tédio, o que faz com que as crianças recorram novamente às telas como principal forma de entretenimento.
Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam limites para o uso de telas conforme a idade, considerando possíveis impactos no desenvolvimento físico, emocional e cognitivo.
Entre os principais riscos associados ao uso excessivo estão dificuldades de sono, problemas oculares, alterações cognitivas, questões emocionais e exposição a conteúdos inadequados ou situações de cyberbullying.
Apesar dos alertas, especialistas reforçam que a tecnologia também pode ter efeitos positivos quando usada com equilíbrio e supervisão. Um exemplo é o Gaming Park, projeto criado em 2022 que atua em comunidades como a Rocinha, no Rio de Janeiro, e em Vitória, no Espírito Santo.
A iniciativa utiliza videogames como ferramenta educacional e de inclusão social para crianças e adolescentes, promovendo atividades de aprendizado, socialização e orientação profissional.
Segundo a coordenação do projeto, os jogos podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades como comunicação, trabalho em equipe e pensamento crítico, desde que acompanhados de educação digital e mediação responsável.
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