O tratamento da doença de Alzheimer no Brasil recebeu um novo recurso com a aprovação do lecanemabe (Leqembi), medicamento da farmacêutica Eisai destinado a pacientes nos estágios iniciais da doença.
A autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi publicada na última quarta-feira (7), e o fármaco já é utilizado em pelo menos 48 países.
O lecanemabe é um medicamento biológico, desenvolvido a partir de organismos vivos, células ou tecidos, que atua sobre a proteína beta-amiloide, cujas placas se acumulam no cérebro de pessoas com Alzheimer. Ele é indicado para casos iniciais da doença, incluindo comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada à condição.
O neurologista Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que o tratamento é recomendado para pacientes que apresentam alterações sutis de memória e cognição, percebidas tanto pelo próprio paciente quanto por familiares.
“O medicamento é indicado para situações em que a autonomia ainda não foi comprometida em atividades básicas, como higiene pessoal e banho”, destaca.
Este é o segundo medicamento aprovado no Brasil para Alzheimer, após o donanemabe (Kisunla), da Eli Lilly, liberado em abril de 2025. Ambos são anticorpos monoclonais antiamiloides, mas atuam em momentos diferentes do depósito de beta-amiloide, sem estudos comparativos diretos até o momento.
Como funciona o lecanemabe
Assim como o donanemabe, o lecanemabe não promove melhora imediata da memória ou da cognição. “Esses medicamentos não são sintomáticos; eles retardam o avanço do declínio cognitivo e funcional”, explica Caramelli. Estudos clínicos de aproximadamente 18 meses demonstraram desaceleração na evolução da doença em pacientes tratados, em comparação com grupos que receberam placebo.
Segundo Eduardo Zimmer, pesquisador do Hospital Moinhos de Vento, embora as causas exatas do Alzheimer ainda não estejam totalmente esclarecidas, a remoção das placas de beta-amiloide ajuda a retardar a progressão da doença, que é justamente o efeito principal do lecanemabe.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio de Janeiro.












