O carnaval de rua do Rio de Janeiro alcançou um recorde histórico de interesse para 2026. Ao todo, 803 blocos solicitaram credenciamento junto à Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur) a partir de 15 de agosto de 2025. A estimativa inicial, no entanto, é de que 465 agremiações sejam autorizadas a desfilar. A lista oficial será divulgada no próximo dia 15.
Todo o processo de inscrição ocorreu de forma online. Em comparação com o carnaval de 2025, quando 685 blocos pediram credenciamento e 482 foram autorizados, houve um crescimento significativo na procura. No ano passado, 444 blocos chegaram a desfilar efetivamente, após o cancelamento de 38 apresentações, número menor do que o registrado em 2024.
O calendário oficial do carnaval de rua de 2026 está previsto para acontecer entre 17 de janeiro e 22 de fevereiro. Do total de blocos que devem integrar a programação, 35 farão sua estreia. Os desfiles estarão distribuídos por todas as regiões da cidade, com maior concentração no centro, que deve receber 135 apresentações.

A zona sul contará com 100 desfiles, seguida pela zona norte, Grande Tijuca, zona oeste, ilhas do Governador e de Paquetá, Jacarepaguá e a região da Barra da Tijuca, Recreio e Vargens.
Entre os destaques está o Circuito Preta Gil, criado para os megablocos e localizado em trechos da Avenida Presidente Antônio Carlos e da Rua Primeiro de Março, no centro do Rio. Estão confirmados desfiles de agremiações tradicionais e de grande público, como Cordão da Bola Preta, Bloco da Anitta, Monobloco, Bloco da Favorita, Fervo da Lud, Chá da Alice, Bloco da Lexa, SeráQAbre?, Bloco da Gold e, como novidade, o Cordão do Boitatá, que passa a integrar o circuito.
O nome do circuito foi escolhido pelo prefeito Eduardo Paes em homenagem à cantora Preta Gil, filha de Gilberto Gil, que morreu em julho do ano passado após enfrentar um câncer. As datas dos desfiles dos megablocos ainda não foram divulgadas. O carnaval oficial de 2026 será celebrado entre os dias 14 e 17 de fevereiro.
A presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro do Rio (Sebastiana), Rita Fernandes, explicou que o Cordão do Boitatá sempre teve perfil de bloco de chão, mas foi incluído no circuito de megablocos após um acordo com a prefeitura.
Rita Fernandes também destacou que o aumento no número de inscrições não significa autorização automática. Segundo ela, muitos blocos que antes desfilavam de forma não oficial buscaram regularização, especialmente após o lançamento de um edital de fomento cultural. A Riotur informou ainda que a redução no número total de autorizações se deve, em parte, à limitação do número de apresentações por bloco, que agora será de uma ou duas.
A Portaria nº 324 da Riotur, publicada em 9 de janeiro no Diário Oficial do Município, estabeleceu incentivos financeiros para o carnaval de rua de 2026. Os valores variam de R$ 5 mil para blocos com até três mil foliões; R$ 25 mil para aqueles que reúnem entre 3.001 e dez mil pessoas; e R$ 50 mil para agremiações com público superior a dez mil foliões.
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Segundo a Sebastiana, as exigências para os desfiles foram simplificadas. Blocos que não utilizam trios elétricos, palcos, arquibancadas ou carros de som não precisam mais de licenciamento do Corpo de Bombeiros. Já os que utilizam estruturas físicas seguem obrigados a cumprir as normas de segurança.
Rita Fernandes também confirmou que o tradicional bloco Suvaco do Cristo, que desfila no Jardim Botânico, fará seu último desfile em 2026. A agremiação completa 40 anos de história e encerrará suas atividades após o próximo carnaval.
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