A 4ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (5), trouxe à tona um conjunto de elementos que colocam o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) no centro de um suposto esquema criminoso com atuação em diferentes áreas da administração pública no Rio de Janeiro.
A decisão que fundamenta a ofensiva foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e autoriza prisões preventivas e mandados de busca e apreensão contra investigados apontados pela Polícia Federal.
Apesar da amplitude da investigação e das menções a diferentes agentes políticos ao longo dos autos, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, não é alvo da operação.
O nome de Bacellar não consta na lista de investigados com mandados de prisão ou de busca e apreensão expedidos pelo STF, ao contrário do que foi divulgado por parte dos noticiários nas primeiras horas após a deflagração da operação.
Quem são os alvos
De acordo com a decisão, são alvos das medidas cautelares o deputado Thiago Rangel e outros investigados, incluindo assessores e empresários, como Rui Carvalho Bulhões Júnior (ex-assessor de Bacellar), Fábio Pourbaix Azevedo (assessor de Rangel) e Luiz Fernando Passos de Souza (empresário no ramo de combustíveis), apontados como integrantes do suposto esquema.
No caso de Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete ligado ao entorno político de Bacellar, a Polícia Federal sustenta que há indícios de conexão a partir de contatos com Rangel, incluindo o envio de planilhas e tentativas de comunicação — elementos que embasaram a medida judicial contra ele.
Menções não significam imputação
Embora Rodrigo Bacellar seja citado em trechos da investigação como figura de influência política — especialmente em relação à estrutura do governo estadual e indicações na área da Educação —, essas referências não se traduzem, neste momento, em medidas judiciais contra ele no âmbito desta fase da operação.
A própria decisão destaca que determinadas inferências feitas pela investigação decorrem de diálogos e análises contextuais, sem que isso, por si só, configure imputação formal ou justificativa para medidas cautelares contra todos os mencionados.
Estrutura do suposto esquema
Os autos apontam para a existência de uma organização criminosa voltada à prática de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Parte relevante da atuação estaria concentrada em contratos da área de Educação e em órgãos municipais de Campos dos Goytacazes.
A investigação descreve o uso de empresas de fachada, operadores financeiros e movimentação de valores em espécie, além da ocupação de cargos estratégicos para viabilizar o direcionamento de contratos públicos.
A atual fase da Operação Unha e Carne incorpora provas de investigações anteriores, como a Operação Postos de Midas, e amplia o escopo sobre a atuação do grupo no âmbito estadual.
Apesar das citações a diferentes atores políticos ao longo do processo, o foco das medidas judiciais permanece restrito aos nomes listados na decisão do STF.
As investigações seguem em andamento, e todos os citados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
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