O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) divulgou uma nota pública de repúdio contra o candidato a deputado federal Guilherme Pallesi, conhecido como Guipa (MDB-SP), após a publicação de um vídeo nas redes sociais envolvendo a atuação de uma delegada da Polícia Civil em Hortolândia, no interior paulista.
A manifestação da entidade foi publicada na sexta-feira (21). Segundo o sindicato, o vídeo de Guipa havia sido divulgado no dia anterior e questionava a conduta da delegada após ela não conceder uma entrevista ao candidato sobre um inquérito policial em andamento.
O Sindpesp classificou o conteúdo como sensacionalista e afirmou que a publicação buscou desqualificar a atuação profissional da autoridade policial.
A policial citada no episódio é Alline Kruetzmann Abdo Vicentim, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Hortolândia, conforme informações publicadas pela imprensa local.
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Sindicato defende atuação da delegada
Na nota, o Sindpesp sustenta que a negativa da delegada em conceder entrevista deve ser analisada dentro das normas que regulam a atividade policial, especialmente quando há investigação em curso e informações relacionadas a vítimas.
A entidade também criticou o que considera uma tentativa de transformar Delegacias de Defesa da Mulher em espaços de exposição político-eleitoral. Segundo o sindicato, unidades policiais e investigações não devem ser utilizadas para promover candidaturas ou produzir conteúdo eleitoral.
O posicionamento ocorre em meio à campanha para as eleições de 2026 e chama atenção para os limites entre a divulgação de informações de interesse público, a atuação de candidatos nas redes sociais e as regras que disciplinam a atividade de agentes e instituições públicas.
A Lei das Eleições estabelece uma série de restrições para impedir o uso da estrutura estatal em benefício de candidaturas. O artigo 73 da Lei nº 9.504/1997 proíbe condutas de agentes públicos capazes de afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos, incluindo determinadas formas de utilização de bens, servidores e serviços públicos para fins eleitorais.
Regras para entrevistas
Outro ponto levantado pelo Sindpesp é o Decreto estadual nº 69.557, de maio de 2025, que reorganizou a estrutura da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.
O artigo 21 da norma atribui ao secretário estadual da Segurança Pública, entre outras competências, a autorização de entrevistas de servidores da pasta à imprensa quando o assunto estiver relacionado às atividades da secretaria.
A entidade utiliza esse dispositivo para sustentar que a delegada não tinha liberdade irrestrita para conceder declarações sobre o caso investigado e que sua conduta precisava observar as normas administrativas da Segurança Pública paulista.
O sindicato também citou as regras de proteção às mulheres envolvidas em casos de violência doméstica. A Lei Maria da Penha prevê mecanismos específicos de proteção de dados e determina, desde alteração legislativa aprovada em 2024, o sigilo do nome da vítima em processos que apuram crimes praticados em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Declaração provoca reação
Além das críticas relacionadas à tentativa de obter informações sobre o inquérito, o Sindpesp contestou uma declaração atribuída a Guipa no vídeo.
Segundo a entidade, o candidato afirmou que “a maior rival da mulher é a própria mulher” e que existem mulheres que “jogam contra”. A declaração, de acordo com o sindicato, teria sido feita em referência à atuação da delegada.
O Sindpesp considerou a fala incompatível com a defesa dos direitos das mulheres apresentada pelo candidato em sua atuação pública.
Guipa mantém uma plataforma própria na qual apresenta propostas legislativas voltadas, entre outros temas, à proteção das mulheres, prevenção do assédio, apoio a mães e responsabilização de agressores. O site do candidato informa que mais de 1 milhão de pessoas acompanham seu trabalho nas redes sociais.
Pedido de retratação
Ao final da manifestação, o Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo pediu uma retratação pública de Guilherme Pallesi.
Para a entidade, críticas dirigidas a uma autoridade policial que estaria cumprindo regras funcionais não seriam compatíveis com a postura esperada de alguém que pretende ocupar uma cadeira no Congresso Nacional.
O Sindpesp argumentou ainda que a defesa da igualdade de gênero precisa estar acompanhada de atitudes respeitosas também quando mulheres ocupam funções públicas e precisam tomar decisões que contrariem interesses de candidatos, influenciadores ou produtores de conteúdo.
A nota oficial foi publicada pelo sindicato em 21 de agosto de 2026.
Nas buscas realizadas até a publicação desta reportagem, não foi localizada uma manifestação pública específica de Guilherme Pallesi em resposta à nota de repúdio do Sindpesp. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento do candidato.
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