Morando no Rio de Janeiro e atuando na Fundação Ceperj em dois projetos nos quais ingressou por meio de processo seletivo, o jornalista Fabrício Manhães Cabral, de 43 anos, é a mais recente vítima de uma campanha sistemática do jornalista Ruben Berta, do portal UOL.
Formado em jornalismo e letras, Cabral trabalha diariamente na Fundação, no Rio, atuando como superintendente de projetos. Anteriormente, já foi repórter do extinto jornal A Cidade, O Diário, rádio Capital FM e assessorias de imprensa. Também foi chefe de gabinete do vereador Helinho Nahim na cidade de Campos dos Goytacazes, antes de ingressar no Ceperj.
Nas últimas 24 horas, no entanto, tornou-se um alvo do que podemos denominar de exterminadores de reputação e linchamento nas redes sociais, assim como em grupos de WhatsApp por parte de ativistas políticos.
A reportagem de hj resume bem o buraco dos cargos secretos do Estado do RJ: indicado por um vereador, o funcionário que recebeu mais este ano (R$ 122 mil ao todo) não consegue explicar o que faz nos projetos inúteis e obscuros em que está contratado.https://t.co/cVdkxkBlnP
— Ruben Berta (@ruben_berta) August 4, 2022
Foto e nome do jornalista foram estampados em reportagem publicada pelo UOL, no qual ele é exposto como se estivesse atuando de forma irregular em dois projetos ou superfaturando rendimentos com verbas públicas. Tudo amplamente difundido em outras plataformas digitais.
A mesma reportagem dá publicidade aos valores que ele recebeu em 7 meses de trabalho, R$ 122,8 mil, o que daria cerca de R$ 8 mil/mês por projeto. As denúncias fazem do conjunto de uma que inclui uma série de reportagens e postagens do jornalista em sua página pessoal sobre o que considera atos irregulares no Ceperj.
Nesse festival de alhos e bugalhos, tem foto de Cabral antiga como ilustração. A imagem é do período de quando apresentava um programa na capital FM e citada na reportagem como reprodução do Facebook da Pop FM (a Capital mudou de nome).
Não há o que esconder sobre um trabalho realizado em dois projetos nos quais o profissional atua por capacitação técnica. Principalmente quando cumpre com todas as obrigações e deveres previstos no contrato.
Assim como não existe ilegalidade em atuar nos dois projetos e muito menos receber pelos trabalhos, segundo a própria Ceperj. Mas o objetivo deliberado do jornalista, visivelmente, é atingir o governo Cláudio Castro e o líder do governo na Alerj, Rodrigo Bacellar (PL) e para chegar ao objetivo passa por cima de qualquer um, principalmente quando tem o ego inflado por coleguinhas que gostam de ver o circo pegar fogo. O cretinismo editorial não é gratuito. Tem digitais e favorece alguém.
A campanha midiática, segundo o próprio Berta divulgou nas suas redes sociais, já conseguiu adesão de outros veículos de comunicação, incluindo das organizações Globo. Há quem interprete a postagem como uma tentativa de inibir eventuais processos judiciais apenas contra o UOL. Seria uma tentativa de compartilhar a culpa. Tentar atrair outros veículos para o rolo, no caso de pessoas inocentes indevidamente atingidas buscarem reparações por danos morais.
Mas o que se tenta, desde o início, é promover um escândalo publicitário, para motivar as operações de órgãos de controle externo em ano eleitoral contra agentes públicos, similar ao que aconteceu na Operação Lava-Jato.
Ainda que isso não aconteça, o trabalho de Berta, certamente, vai abastecer os opositores de Castro nos debates de TV. O primeiro está marcado para sábado (6), na Band.
ESCÂNDALO DOS CARGOS SECRETOS | O que se sabe até agora sobre a contratação de funcionários – sem qualquer transparência – na gestão do governador do RJ, Cláudio Castro 🧶 pic.twitter.com/Na6R4VTfoe
— UOL Notícias (@UOLNoticias) July 22, 2022
Ruben Berta é jornalista que já atuou no jornal O Globo e até recentemente mantinha um blog em seu nome, até ingressar no UOL. Tem boas amizades no gabinete da deputada Clarissa Garotinho (União Brasil-RJ), outra fonte de suprimento em seus conteúdos.
Em sua trajetória consta engajamento em assessorias de políticos no Rio de Janeiro, como atuação em campanhas do prefeito do Rio, Eduardo Paes, mas alguns colegas, atualmente, apontam suas simpatias pelo PSOL e pela campanha de Marcelo Freixo (PSB), candidato à sucessão no Rio contra Castro.
Contudo, uma de suas fontes de informação na campanha contra o governo Castro teria sido o grupo de Anthony Garotinho, o que também pode explicar a razão do repórter do UOL, literalmente, poupar o ex-governador em todas denúncias, até mesmo envolvendo a Fundação Ceperj, o que custou algumas invertidas de internautas nas redes sociais.

Recentemente, em sua página no Twitter, ele demonstrou desapontamento quando Garotinho anunciou adesão a campanha de Cláudio Castro.
“Em nome da obediência ao meu partido, o senhor é meu candidato a governador”, diz Garotinho a Cláudio Castro hoje. Política realmente é algo bem dinâmico. pic.twitter.com/jS1yGuVnun
— Ruben Berta (@ruben_berta) July 31, 2022
As simpatias recentes por Freixo são notórias. Todas as suas reportagens contra o governo Castro fomentam as páginas de candidatos e militantes da oposição. Os demais veículos que ele cita como aderentes, ao parece, estariam apenas fazendo uma espécie de tergiversação ideológica inadvertida.
As denúncias do UOL e parlamentares do PSOL envolvendo a Fundação Ceperj estão em fase de apuração no Ministério Público Estadual (MPRJ) e Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). É o que se espera, ainda que Berta tenha surtos de deslumbramentos, exibindo os feitos como um troféu de alguém dotado de poder supremo para dar ordens aos aos promotores, juízes e conselheiros de Tribunal de Contas.
Atualização
Em nome do jornal Diário da Guanabara, o jornalista Roberto Barbosa enviou carta com pedidos de desculpas ao jornalista Ruben Berta e a Abraji, (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Confira integra neste link.











