O tabuleiro político fluminense começa a se reorganizar para a sucessão estadual de 2026, e o nome do deputado Rodrigo Bacellar (União Progressista), atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ganha destaque como peça-chave na corrida ao Palácio Guanabara.
Articulações em curso sugerem que o parlamentar pode assumir o governo ainda no segundo semestre deste ano, pavimentando seu caminho para disputar o cargo em definitivo nas eleições daqui a dois anos.
O primeiro ato: Pampolha no TCE-RJ
A estratégia tem início com a expectativa de eleição do vice-governador Thiago Pampolha (MDB) para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). A aprovação de seu nome pela Alerj, prevista para os próximos dias, abrirá caminho para que Bacellar ocupe o primeiro lugar na linha sucessória.
Com a saída de Pampolha, o presidente da Assembleia se tornaria vice-governador por força constitucional, posicionando-se para assumir o Executivo estadual caso o atual governador, Claudio Castro (PL), renuncie.
Castro no Congresso: o segundo movimento
O plano ganha corpo com a possibilidade de Claudio Castro deixar o governo antes do fim do mandato para concorrer a uma vaga no Senado ou à Câmara dos Deputados em 2026.
A mudança permitiria a Bacellar assumir o comando do estado com antecedência, fortalecendo sua imagem como gestor e ampliando suas chances eleitorais. Castro, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), integra o amplo arco de alianças que sustenta o governo, incluindo PL, União Progressista e MDB.
Virtù e articulação: o jogo de Bacellar
Analistas destacam que Bacellar tem conduzido as negociações com habilidade maquiavélica — referindo-se ao conceito de virtù, de Nicolau Maquiavel, que prega a capacidade de adaptação às circunstâncias para garantir o poder.
O deputado trabalha para manter a coesão da base governista, considerada um “diferencial” na disputa pela sucessão.
“O governo conseguiu até aqui evitar rachas significativos. Isso é crucial para projetar força em 2026”, avalia um interlocutor da Alerj.
Cenário atual: alianças sob controle
A manutenção da união entre PL, MDB e União Progressista é vista como um trunfo, especialmente diante de eventuais adversários como o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que também pode entrar na corrida.
Enquanto isso, Bacellar concentra esforços em ampliar sua influência, articulando apoios dentro e fora do Legislativo.
Próximos capítulos
Se as peças se encaixarem como planejado, o Rio poderá testemunhar uma transição de poder ainda em 2025, com Bacellar assumindo o governo para, em seguida, buscar a reeleição.
Tudo depende, porém, dos passos formais de Pampolha e Castro — e da capacidade do presidente da Alerj de manter o equilíbrio em um tabuleiro onde cada movimento é calculado.
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