A Polícia Federal prendeu seis pessoas nesta quinta-feira (15) durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, investigação que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavagem de dinheiro. Entre os presos estão Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito, e o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do estado.
Também foram presos os policiais civis Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Ao todo, a operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou as diligências envolvendo integrantes da corporação.
As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas que, segundo a investigação, estariam vinculadas à estrutura financeira do grupo. Desse total, 96 são postos de combustíveis apontados pela PF como utilizados para ocultar a origem de recursos e dar aparência de legalidade ao dinheiro.
A dimensão financeira do caso chamou a atenção dos investigadores. De acordo com um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. A Polícia Federal apura a possível participação de agentes públicos e a existência de articulação político-institucional ligada ao esquema.
Segundo a PF, os investigados poderão responder, de acordo com a participação atribuída a cada um, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. A responsabilização criminal dependerá do avanço das investigações e de eventual processo judicial.
A ação desta quinta-feira é um novo desdobramento de uma investigação que já havia chegado a Canella e Amim em julho. Na sexta fase da Operação Unha e Carne, ambos foram alvos de mandados de busca e apreensão relacionados à mesma apuração sobre a rede de postos de combustíveis. Na ocasião, a Polícia Federal informou que o objetivo era desarticular uma organização suspeita de usar os estabelecimentos como plataforma para lavagem de dinheiro, com possível participação de agentes públicos.
Durante aquela operação, Canella acabou preso em flagrante depois que agentes encontraram um fuzil calibre 5,56 no veículo em que ele estava. Dias depois, Alexandre de Moraes concedeu liberdade provisória ao ex-prefeito, que passou a cumprir medidas cautelares. Canella afirmou na época que a arma não lhe pertencia.
Três meses depois, Canella voltou a ser preso, desta vez por ordem preventiva no âmbito da própria investigação. Ele havia sido eleito deputado estadual no último dia 4 de outubro, com 197.178 votos, ficando entre os candidatos mais votados para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
A Polícia Civil informou que sua Corregedoria-Geral participou da operação em apoio à Polícia Federal e declarou que não compactua com desvios de conduta de seus agentes. A corporação afirmou ainda que adota medidas administrativas e disciplinares quando são identificados indícios de irregularidades.
Em relação à defesa, informações divulgadas nesta quinta apontavam que os representantes de Canella ainda aguardavam acesso integral aos autos antes de se manifestar sobre as acusações. As investigações continuam, e a Polícia Federal poderá aprofundar a apuração sobre a origem dos recursos movimentados, a estrutura empresarial envolvida e a eventual participação individual de cada investigado.
A Operação Unha e Carne integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa voltada ao enfrentamento de organizações criminosas no Rio de Janeiro. Com a oitava fase, a investigação amplia o foco sobre a possível utilização de atividades empresariais formais para movimentar recursos de origem ilícita e sobre suspeitas de envolvimento de agentes públicos na estrutura investigada.
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