A Polícia Federal deflagrou neste sábado (10) a Operação Em Nome do Pai para investigar suspeitas de favorecimento a empresas dos setores imobiliário e da construção civil por meio de decisões judiciais no Rio de Janeiro. Um dos investigados é um desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).
Os agentes cumprem seis mandados de busca e apreensão em endereços na região de Niterói, incluindo o bairro de Icaraí. As ordens foram expedidas pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo informações divulgadas pela TV Globo, o magistrado investigado é Alexandre Eduardo Cisío. Os fatos apurados teriam ocorrido quando ele ainda atuava como juiz titular de uma vara de primeira instância em Niterói, antes de se tornar desembargador, em 2021.
Durante o cumprimento de um dos mandados, em um endereço atribuído a um filho do magistrado, os policiais apreenderam R$ 27 mil em dinheiro.
Investigação começou após apuração interna do TJRJ
A operação teve origem em informações encaminhadas pela Corregedoria-Geral da Justiça do Rio de Janeiro. O material foi reunido em procedimentos administrativos instaurados para investigar a conduta do magistrado.
De acordo com a Polícia Federal, a suspeita é de que decisões judiciais tenham beneficiado empresas privadas em troca de vantagens destinadas à família do investigado.
Entre os possíveis benefícios apontados pelos investigadores estão transferências de imóveis, descontos comerciais fora dos padrões habituais e pagamentos indiretos realizados por meio de terceiros e empresas ligadas aos envolvidos.
A PF também investiga a suspeita de que os recursos obtidos irregularmente tenham passado por operações destinadas a ocultar sua origem.
Embora os supostos atos de corrupção tenham ocorrido quando o magistrado ainda trabalhava na primeira instância, a Polícia Federal sustenta que as possíveis práticas de lavagem de dinheiro continuaram posteriormente.
Essa circunstância integra a fundamentação da investigação que levou ao cumprimento dos mandados autorizados pelo STJ.
Os fatos apurados podem configurar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A operação ocorre em meio a outras investigações envolvendo integrantes do Judiciário fluminense, mas não há, nas informações apresentadas, indicação de ligação entre esses procedimentos.
A investigação permanece em andamento. As suspeitas ainda precisam ser comprovadas, e o cumprimento dos mandados não representa condenação dos investigados.
Atualização da apuração: a operação foi deflagrada na quinta-feira, 8 de outubro, e não neste sábado (10). O nome correto do desembargador é Alexandre Eduardo Scisinio. Esses dois dados devem ser corrigidos no texto acima antes da publicação.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











