Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) apura a existência de um suposto esquema de cobrança de dinheiro para permitir a realização de campanhas eleitorais em determinadas áreas de Sobral, no interior do Ceará. Segundo informações divulgadas pelo g1 nesta terça-feira (11), os valores cobrados poderiam chegar a R$ 60 mil.
A apuração aponta que a cobrança estaria relacionada à atuação do Comando Vermelho em regiões do município. Conforme as suspeitas investigadas, candidatos que desejassem realizar atividades de campanha em determinados bairros precisariam pagar valores que variavam de acordo com a situação política de cada um.
A investigação levou à prisão preventiva de três vereadores de Sobral nesta terça-feira. Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mario Vicktor (União) também foram afastados dos respectivos cargos por determinação judicial, pelo período de 180 dias.
Operação cumpre mandados em Sobral
Batizada de Operação Omertá, a ação foi realizada para cumprir 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão e cinco determinações de afastamento cautelar de agentes públicos.
De acordo com o MPCE, 20 mandados de busca e apreensão já haviam sido cumpridos no decorrer da operação. Os investigadores recolheram celulares, documentos e outros materiais que poderão contribuir para o avanço das apurações.
As autoridades também determinaram que os investigados não mantenham contato entre si ou com testemunhas relacionadas ao caso.
Investigação apura suposto “pedágio eleitoral”
Segundo a linha de investigação apresentada pelo Ministério Público, candidatos que não ocupavam mandato teriam de pagar aproximadamente R$ 30 mil para obter autorização para fazer campanha em determinadas localidades.
No caso de políticos que já exerciam mandatos, a quantia investigada poderia alcançar R$ 60 mil.
Além da suposta cobrança, o MPCE apura se integrantes da organização criminosa teriam recorrido a ameaças ou mecanismos de coação para interferir na escolha dos eleitores.
As suspeitas abrangem acontecimentos relacionados aos processos eleitorais de 2024 e 2026.
Vereadores e servidores estão entre os alvos
A operação também atingiu outras pessoas ligadas à administração pública e à investigação. Entre os alvos estão um assessor jurídico da Câmara Municipal de Sobral, pessoas apontadas como integrantes da facção criminosa e um advogado.
Uma policial militar e outros servidores públicos foram afastados cautelarmente por 180 dias.
O Ministério Público investiga possíveis crimes de organização criminosa, extorsão relacionada ao chamado “pedágio eleitoral”, corrupção eleitoral, impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral e lavagem de dinheiro.
Caso segue sob investigação
O processo tramita em segredo de Justiça. Dessa forma, parte das informações relacionadas às medidas judiciais e aos elementos reunidos pelos investigadores não está disponível publicamente.
As prisões, os afastamentos e demais medidas adotadas durante a Operação Omertá fazem parte da investigação e não representam, por si só, uma condenação dos envolvidos. Os fatos ainda deverão ser apurados pelas autoridades competentes.
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