A investigação envolvendo o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que integra como candidato a vice-presidente a chapa de Flávio Bolsonaro, passou a ser marcada por versões divergentes apresentadas pela principal testemunha do caso. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo nesta terça-feira (11).
O episódio veio à tona em março, durante os trabalhos da CPI do INSS. Na ocasião, o comerciante Luiz Antônio Lopes, de 63 anos, procurou assessores da senadora Soraya Thronicke e relatou ter informações sobre uma jovem de Alagoas que, segundo ele, teria sofrido abuso sexual atribuído a Gaspar aos 13 anos e posteriormente engravidado.
De acordo com a versão apresentada naquele momento, Lopes teria pedido dinheiro à senadora em troca de informações adicionais sobre o suposto caso.
A denúncia ganhou repercussão enquanto Alfredo Gaspar atuava como relator da comissão e defendia o indiciamento de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante uma sessão da CPI, o deputado Lindbergh Farias chegou a acusar Gaspar publicamente de estupro, provocando uma discussão entre os parlamentares.
Após a repercussão, Soraya Thronicke e Lindbergh encaminharam pedidos à Polícia Federal para que os fatos fossem investigados.
Comerciante muda versão sobre a denúncia
Posteriormente, Luiz Antônio Lopes prestou depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados e apresentou uma versão diferente daquela relatada inicialmente.
Segundo o novo depoimento, uma funcionária de seu quiosque teria sido procurada por pessoas ligadas a Lindbergh Farias para participar de uma suposta montagem envolvendo uma jovem identificada como “Jailma”, que seria apresentada como vítima.
Lopes também afirmou ter recebido R$ 16,5 mil por meio de transferências via Pix. Segundo a nova versão apresentada pelo comerciante, os pagamentos estariam relacionados à suposta construção da denúncia.
Os envolvidos apontados como responsáveis pelas transferências, entretanto, teriam negado conhecer Lopes ou não apresentado explicações consideradas suficientes para justificar os valores.
Testemunha passou a integrar o mesmo partido de Gaspar
Outro elemento que chamou atenção na investigação foi a filiação de Luiz Antônio Lopes ao PL, partido de Alfredo Gaspar e Flávio Bolsonaro.
A filiação ocorreu aproximadamente uma semana depois do depoimento prestado à Polícia Legislativa.
Desde então, conforme relatado pelo O Globo, o comerciante teria apresentado versões diferentes à imprensa, alternando entre a manutenção da acusação original contra Gaspar e a afirmação de que o episódio teria sido resultado de uma suposta armação política.
As mudanças nos relatos passaram a ser consideradas um dos principais pontos a serem esclarecidos pelas autoridades responsáveis pela apuração.
PGR avalia próximos passos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa as informações reunidas no caso antes de decidir se será instaurado formalmente um inquérito.
O pedido de investigação foi encaminhado pela Polícia Federal. Neste momento, as diferentes versões apresentadas pela testemunha e os elementos que possam confirmar ou contradizer cada relato deverão ser analisados pelas autoridades.
A eventual responsabilização de qualquer pessoa dependerá da apuração oficial, da análise das provas e das conclusões das instituições competentes.
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