O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participará da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O presidente brasileiro fará na terça-feira (22) o discurso que abre tradicionalmente o Debate Geral da organização.
A abertura pelo Brasil ocorre desde 1955. Depois do pronunciamento brasileiro, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Debate Geral deste ano será realizado entre 22 e 28 de setembro e tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Lula terá agenda diplomática em Nova York
Além do discurso na ONU, Lula deverá participar de reuniões bilaterais durante a passagem pela cidade. Entre os compromissos previstos está um encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
O presidente também poderá se reunir com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Segundo informações divulgadas sobre a agenda, o encontro foi solicitado pelo prefeito e dependia de confirmação.
A presença de Trump em Nova York também coloca um possível contato entre os dois presidentes no radar. O chefe do governo norte-americano discursará logo depois de Lula, mas não havia, até o momento, confirmação de uma reunião bilateral formal.
Multilateralismo deve ser um dos temas centrais
Entre os assuntos previstos para o discurso estão a defesa do multilateralismo, a soberania dos países, o direito internacional, a cooperação entre nações e a busca por soluções para conflitos.
Também devem aparecer questões relacionadas ao meio ambiente, à inteligência artificial, à democracia e ao combate ao crime organizado. A posição brasileira será apresentada dentro do contexto da agenda internacional defendida pelo governo.
A defesa de mudanças na governança global também deve ocupar espaço no pronunciamento. Em discursos anteriores na ONU, Lula já defendeu uma reforma ampla da organização e mudanças na composição e no funcionamento do Conselho de Segurança.
Brasil defende reforma do Conselho de Segurança
A reforma do Conselho de Segurança é uma pauta recorrente da diplomacia brasileira. O governo defende que o órgão tenha uma representação mais próxima da atual distribuição política e econômica do mundo, incluindo maior participação de países da América Latina e da África.
Em seu discurso na 79ª Assembleia Geral, em 2024, Lula defendeu mudanças na composição, nos métodos de trabalho e no direito de veto do Conselho. Na ocasião, também criticou a ausência de países latino-americanos e africanos entre os membros permanentes.
A discussão ganha espaço novamente em 2026, em uma Assembleia Geral cujo tema oficial destaca justamente a necessidade de recuperar a confiança no sistema multilateral e fortalecer a capacidade da ONU de responder a desafios globais.
Discurso ocorre em meio a debates sobre governança global
A 81ª Assembleia Geral reúne representantes dos 193 Estados-membros para discutir temas internacionais e buscar respostas conjuntas para questões como conflitos, mudanças climáticas, desenvolvimento, direitos humanos e novas tecnologias.
Além do Debate Geral, a programação inclui reuniões de alto nível sobre ação climática, transição justa, elevação do nível do mar, prevenção e preparação para pandemias e outros assuntos.
A viagem de Lula ocorre, portanto, em um momento em que a própria ONU coloca o fortalecimento da cooperação internacional entre as prioridades da sessão. O discurso brasileiro deverá apresentar as posições do governo sobre essas questões e reforçar a defesa de maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões internacionais.
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