O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (17), em entrevista à CNN Brasil, que o BRICS não foi criado para confrontar países ou blocos internacionais, mas sim para promover o diálogo entre nações com interesses comuns. “O BRICS não foi criado para lutar contra nenhum país, o BRICS foi criado para que nós que nos consideramos iguais discutamos de forma pacífica nossos problemas”, afirmou o presidente.
A fala de Lula ocorre após o ex-presidente dos Estados Unidos e atual pré-candidato republicano, Donald Trump, intensificar críticas ao bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e ameaçar impor uma tarifa extra de 10% a países alinhados a políticas que ele considera “antiamericanas”.
Além de defender o BRICS, Lula rebateu diretamente as recentes declarações de Trump, que têm sido interpretadas como interferência nas questões internas do Brasil, principalmente após o republicano sair em defesa de Jair Bolsonaro, réu por suspeita de envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo Trump, o ex-presidente brasileiro seria alvo de uma “caça às bruxas”.
Lula foi categórico ao responder
“Se Trump fosse brasileiro e tivesse feito o que aconteceu no Capitólio, ele também seria julgado. E, se ele tivesse violado a Constituição, de acordo com a Justiça, ele também estaria preso.”
O presidente também criticou o tom imperial da ameaça de tarifas feita por Trump
“Ele não foi eleito para ser o imperador do mundo”, disse Lula, após a divulgação de uma carta publicada nas redes sociais do norte-americano anunciando possíveis tarifas de até 50% sobre o Brasil.
A resposta provocou reação da Casa Branca. A porta-voz Karoline Leavitt declarou que “Trump é o líder do mundo livre”, defendendo sua postura como firme e responsável.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também comentou o clima diplomático entre os dois países e afirmou que um encontro entre Lula e Trump poderá acontecer, caso surja uma “oportunidade favorável”. “O presidente Lula fala com todos os chefes de Estado e de governo […] Tenho certeza de que, se for dada a circunstância, eles se falarão”, disse Vieira.
As falas de Lula refletem a tensão crescente no cenário internacional às vésperas das eleições presidenciais nos EUA, e reforçam a posição do Brasil de manter uma postura independente na geopolítica global, alinhada ao diálogo multilateral e ao respeito à soberania nacional.
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