O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a realização de novas eleições na Venezuela para que a população escolha seus representantes. A declaração foi feita na segunda-feira (21), em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, durante a viagem do brasileiro a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU.
Ao comentar a situação política venezuelana, Lula afirmou que, se estivesse no lugar da presidente interina Delcy Rodríguez, convocaria uma eleição “o mais rápido possível”. O presidente brasileiro também questionou a influência exercida pelos Estados Unidos sobre o governo de Caracas e os acordos envolvendo as receitas do petróleo venezuelano.
Lula questiona atuação americana na Venezuela
Durante a entrevista, Lula voltou a criticar a forma como os Estados Unidos passaram a atuar na Venezuela. Na avaliação do presidente brasileiro, os acordos firmados após a retirada de Nicolás Maduro do poder indicariam uma participação significativa de Washington nas decisões do país.
Lula afirmou ainda que eventuais acusações contra Maduro deveriam ser investigadas e submetidas à Justiça. Segundo ele, uma acusação feita por outro país não deveria substituir os procedimentos judiciais.
O presidente também mencionou episódios envolvendo ações americanas no Oriente Médio para questionar justificativas apresentadas anteriormente pelos Estados Unidos em operações internacionais.
Petróleo venezuelano entra no debate
Outro ponto abordado por Lula foi a exploração das reservas de petróleo da Venezuela. O presidente brasileiro questionou os termos dos acordos estabelecidos entre Caracas e Washington e afirmou que os recursos provenientes da atividade petrolífera não deveriam ficar submetidos a decisões externas.
A questão ocorre em meio às negociações entre o governo interino venezuelano e representantes americanos para reorganizar o setor de energia do país. Durante a Assembleia Geral da ONU, a delegação liderada por Delcy Rodríguez também participou de discussões sobre petróleo, dívida e investimentos.
Venezuela esteve no centro da agenda internacional
As declarações de Lula ocorreram na véspera de seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Nesta terça-feira (22), o presidente voltou a defender a soberania dos países e o multilateralismo durante sua fala em Nova York.
A situação venezuelana fez parte do contexto das críticas brasileiras à atuação de potências estrangeiras na América Latina. Lula sustentou que países da região devem ter autonomia para definir seus próprios caminhos políticos.
O governo venezuelano também tentou marcar uma reunião com representantes brasileiros durante a semana da ONU, mas o encontro não foi realizado por incompatibilidade de agendas, segundo fontes do governo brasileiro ouvidas pela CNN.
Lula também cita eleições brasileiras
Na entrevista à CNN, Lula afirmou que não deseja interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de outubro. O presidente disse ter conversado com Donald Trump sobre o assunto e relatou que o americano teria afirmado que não pretende interferir no pleito.
Lula também manifestou preocupação com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, mencionando sua proximidade com integrantes do bolsonarismo. Ao mesmo tempo, ressaltou que essa preocupação, naquele momento, era uma suspeita e não uma acusação de interferência efetiva.
A posição apresentada pelo presidente brasileiro integra sua defesa de que decisões políticas de cada país devem ser tomadas internamente, sem imposição de governos estrangeiros.
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