O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta sexta-feira (18), uma atuação conjunta entre União, governo do Rio de Janeiro e Prefeitura da capital no combate ao crime organizado. A declaração ocorreu durante um evento de segurança pública realizado no Rio, onde também foram apresentados acordos para integrar forças de segurança e ampliar o compartilhamento de informações.
Durante o discurso, Lula reagiu às críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao combate brasileiro às organizações criminosas. Em documento enviado ao Congresso americano nesta semana, Trump afirmou que o Brasil não conseguiu enfrentar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificados pelos Estados Unidos como Organizações Terroristas Estrangeiras desde junho.
Lula rejeita classificação de facções como terroristas
Lula afirmou que não concorda com a classificação adotada pelo governo americano e defendeu que o enfrentamento às organizações criminosas seja conduzido pelas instituições brasileiras.
“Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump”, declarou o presidente durante o evento.
A classificação feita pelos Estados Unidos entrou oficialmente em vigor em 5 de junho. Segundo o governo americano, a medida amplia os instrumentos disponíveis para aplicar sanções e outras ações contra pessoas e entidades associadas aos grupos.
Lula também defendeu a retomada de territórios sob influência de organizações criminosas no Rio e apresentou a integração entre diferentes níveis de governo como uma experiência que pode ser reproduzida em outras partes do país.
Presidente cita Bolsonaro ao falar sobre terrorismo
Durante a fala, Lula também relacionou o conceito de terrorismo ao processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo que apurou uma tentativa de golpe de Estado. A ação também envolveu acusações relacionadas a um plano que teria como alvos Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
Ao comentar o episódio, Lula apresentou sua interpretação sobre o que considera terrorismo de Estado e fez referência aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de ruptura institucional.
Petróleo e minerais estratégicos entram no discurso
Outro assunto mencionado pelo presidente foi a necessidade de atenção aos recursos naturais considerados estratégicos para o país.
Lula citou a Margem Equatorial, na região Norte, e as áreas de exploração do pré-sal no litoral do Sudeste. Também mencionou petróleo, terras raras e outros minerais críticos como recursos que devem ser considerados dentro dos interesses estratégicos brasileiros.
As declarações ocorreram poucos dias depois de Trump incluir o PCC e o CV em críticas ao Brasil no documento anual enviado ao Congresso dos Estados Unidos.
Acordos ampliam ações integradas no Rio
Durante a cerimônia, foram apresentadas iniciativas para aproximar as estruturas de segurança federal, estadual e municipal.
Uma das frentes prevê ações coordenadas nos principais corredores logísticos do estado, com participação do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do governo fluminense. A estratégia envolve áreas como Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela e acessos ao Porto e ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. O objetivo é combater roubos de cargas e dificultar a circulação de organizações criminosas nesses pontos.
Também foi apresentada uma política estadual voltada à retomada de territórios com presença de organizações criminosas, além de ações para ampliar a integração entre órgãos de segurança.
Outra iniciativa prevê capacitação da Força Municipal da Guarda do Rio, com participação de instituições federais, incluindo a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Estado e município defendem atuação conjunta
O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, destacou a cooperação entre as forças de segurança e afirmou que o estado tem condições de conduzir sua própria política de combate ao crime.
O prefeito Eduardo Cavaliere também ressaltou o compartilhamento de informações de inteligência e de imagens de câmeras de monitoramento entre a estrutura municipal e os demais órgãos de segurança.
A integração entre as forças já avançava antes do evento desta sexta-feira. Na quinta-feira (17), o Ministério da Justiça e o governo do Rio definiram a elaboração dos primeiros Planos Operacionais Integrados para atuação nos corredores estratégicos do estado.
Para Lula, a experiência desenvolvida no Rio pode servir como referência para a criação de ações semelhantes em outras regiões brasileiras.
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