O Haiti deu um novo passo para tentar retomar o processo democrático após quase uma década sem eleições nacionais. O Conselho Eleitoral Provisório (CEP) anunciou nesta segunda-feira (27) o calendário previsto para as eleições presidenciais e legislativas, que deverão ocorrer em meio a uma grave crise de segurança e à forte atuação de grupos armados em diferentes regiões do país.
De acordo com o cronograma divulgado pelo órgão eleitoral e informado pela agência Reuters, o primeiro turno está marcado para 13 de dezembro de 2026. Caso seja necessária uma segunda votação, ela deverá ocorrer em 21 de fevereiro de 2027. A divulgação dos resultados definitivos está prevista para 7 de março.
A realização das eleições, no entanto, ainda depende de condições consideradas essenciais pelas autoridades. O CEP afirmou que o processo somente poderá avançar caso exista um “clima de segurança aceitável” e estejam disponíveis os recursos necessários para organizar a votação.
Além da escolha do presidente e dos representantes do Legislativo, os haitianos também deverão participar de um referendo sobre possíveis alterações na Constituição. O processo eleitoral ainda prevê a escolha de representantes para as estruturas de administração local.
Violência adiou calendário eleitoral
A votação havia sido inicialmente planejada para agosto de 2026, mas precisou ser adiada diante do agravamento da violência no país. Grupos armados mantêm influência sobre diferentes áreas do Haiti, dificultando a circulação da população, a atuação das instituições públicas e a organização de processos eleitorais.
O cenário de insegurança é um dos principais fatores que ameaçam a realização do novo calendário. Por isso, o CEP condicionou o avanço das etapas eleitorais à evolução das condições de segurança e à capacidade das autoridades de garantir a estrutura necessária para a votação.
Haiti não realiza eleições nacionais desde 2016
O Haiti está sem eleições nacionais desde 2016, quando Jovenel Moïse foi eleito presidente. Ele foi assassinado em 2021, enquanto o país enfrentava uma sequência de crises políticas e adiamentos do calendário eleitoral.
Desde então, o governo haitiano tem funcionado por meio de estruturas de transição. A instabilidade política, combinada com a expansão da atuação de gangues armadas, tornou ainda mais difícil estabelecer condições para a realização de eleições regulares.
Mesmo diante dos obstáculos, o Conselho Eleitoral Provisório iniciou algumas medidas preparatórias neste mês. Entre elas estão o cadastramento de eleitores e a capacitação de agentes de segurança que deverão trabalhar durante a votação.
O órgão eleitoral também divulgou uma lista definitiva com mais de 300 partidos políticos autorizados a participar da disputa, segundo informações da imprensa local.
A definição das datas representa uma tentativa de estabelecer um caminho para a retomada das instituições eleitas no Haiti. Entretanto, a própria autoridade eleitoral ressalta que o calendário permanece condicionado à segurança e à disponibilidade de recursos para garantir a realização do processo.
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