Durante o lançamento do livro Capitalismo Superindustrial – Caminhos diversos, destino comum, realizado neste sábado (7), em São Paulo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez duras críticas à forma como as elites brasileiras se relacionam com o Estado. Segundo ele, a classe dominante encara o poder público como um bem privado, e não como um patrimônio coletivo da sociedade.
A declaração foi feita no Sesc 14 Bis, na capital paulista, em um evento que contou com a presença do cientista político Celso Rocha de Barros e mediação da antropóloga Lilia Schwarcz. Haddad afirmou que essa lógica de apropriação do Estado tem raízes históricas profundas e estaria ligada ao processo de abolição da escravidão em 1888.
Na avaliação do ministro, o Estado brasileiro teria sido entregue às elites como uma espécie de compensação pela perda da mão de obra escravizada, o que ajudaria a explicar por que a democracia no país ainda apresenta fragilidades estruturais. Para ele, trata-se de um modelo que nunca se consolidou plenamente como um sistema de participação ampla e igualitária.
As declarações ocorrem em meio à transição política do governo, já que Haddad confirmou que deve deixar o comando da Fazenda ainda neste mês para se dedicar à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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