O governo federal ainda não efetuou o pagamento de nenhuma emenda parlamentar referente ao ano de 2025 para 347 congressistas, sendo 303 deputados federais e 44 senadores, conforme revelou levantamento do site Giro Capixaba. Desses, 76 nem sequer tiveram seus recursos reservados no orçamento até o dia 24 de junho — véspera da votação que derrubou o decreto do presidente Lula sobre o aumento do IOF.
Entre os mais afetados estão nomes do núcleo duro de partidos como MDB, PP, PSD, Republicanos e União Brasil — as principais siglas do chamado Centrão, que têm sustentado a governabilidade nas últimas legislaturas, mas que vêm demonstrando crescente insatisfação com o Planalto.
Segundo os dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), apenas na última terça-feira (25) o governo acelerou a fase de empenho das emendas, elevando o valor reservado de R$ 896 milhões para R$ 1,7 bilhão. No entanto, os pagamentos de fato continuam baixos: subiram de R$ 408 milhões para R$ 409 milhões.
Mesmo parlamentares próximos ao governo, como o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ainda não viram suas emendas serem pagas. No total, 48 congressistas petistas seguem sem recursos liberados.
A crise se reflete no plenário. Entre os deputados que votaram contra o decreto presidencial do IOF, 144 já tinham recebido parte de suas emendas. No entanto, o ressentimento se espalha mesmo entre os aliados: apenas dois deputados do Centrão votaram com o governo sem terem recebido recursos até agora — Hugo Leal (PSD-RJ) e Elcione Barbalho (MDB-PA).
Líderes partidários, como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Mário Heringer (PDT-MG), relataram que a falta de repasses tem sido motivo constante de reclamações em suas bancadas. “Recebo cobranças todos os dias”, disse Heringer, que relaciona o tema ao afastamento do PDT em relação ao governo. Cavalcante foi direto: “É uma prova de que o governo não está preocupado com o Brasil”.
A Secretaria de Relações Institucionais, por sua vez, argumenta que o novo modelo de liberação, determinado pela Lei Complementar 210/2024, trouxe mudanças nos prazos e processos. Além disso, o orçamento foi sancionado tardiamente neste ano — só em abril — o que, segundo a pasta, justifica parte da lentidão.
Mesmo assim, o desgaste é real e crescente. A derrubada do decreto do IOF, que teve votação simbólica no Senado e ampla rejeição na Câmara, é apontada como reflexo direto da insatisfação generalizada no Legislativo.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações do site Giro Capixaba. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











