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Flávio culpa Lula por tarifa de 25% e leva crise comercial para disputa eleitoral

Senador compartilha críticas de Marco Rubio ao governo brasileiro, enquanto Planalto classifica medida dos Estados Unidos como injustificada e prepara reação.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
16/07/2026 - 10:42
em Política
Flávio Bolsonaro culpa Lula pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos e compartilha críticas de Marco Rubio ao governo brasileiro.

Imagem: Reprodução/ Andressa Anholete/Agência Senado

A nova barreira comercial imposta pelos Estados Unidos ao Brasil rapidamente deixou o campo econômico e passou a alimentar a disputa pela Presidência da República. Nesta quinta-feira (16), o senador Flávio Bolsonaro responsabilizou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva pelo fracasso das negociações que antecederam a tarifa adicional de 25% sobre uma ampla relação de produtos brasileiros.

Pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PL, Flávio compartilhou no X uma publicação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Na mensagem, o representante do governo Donald Trump acusou Lula e sua equipe de não negociarem de boa-fé com Washington.

Ao comentar a declaração, o senador afirmou que Lula não teria mais condições de governar e comparou a situação do país a um “avião sem piloto”. Também chamou o presidente de “Biden brasileiro”, numa referência ao ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, e utilizou termos como “ranzinza” e “inconsequente” para atacar o adversário político.

Flávio declarou ainda que o atual governo representaria “passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência e vingança”. A manifestação reforçou o tom eleitoral do debate e procurou associar diretamente a política externa conduzida por Lula aos possíveis prejuízos para exportadores brasileiros.

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As declarações representam a avaliação política do senador. A decisão tarifária foi tomada pelo governo norte-americano após uma investigação comercial iniciada em julho de 2025, e Brasil e Estados Unidos apresentam versões divergentes sobre a condução das negociações.

Rubio responsabiliza governo brasileiro

Marco Rubio afirmou que Lula teria colocado interesses pessoais acima da busca por um acordo. Segundo o secretário de Estado, as políticas econômicas brasileiras prejudicam empresas e trabalhadores dos dois países.

O representante norte-americano declarou que as tarifas seriam o resultado da falta de disposição do governo brasileiro para atender às preocupações apresentadas durante as negociações.

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, informou que realizou consultas, recebeu mais de 360 manifestações escritas e promoveu audiências públicas antes de concluir o processo. O órgão também afirmou que os dois governos mantiveram negociações intensas, mas não conseguiram solucionar as divergências.

Entre os pontos questionados por Washington estão o funcionamento do Pix, as regras para serviços digitais, a proteção da propriedade intelectual, as tarifas aplicadas ao etanol norte-americano, políticas de combate à corrupção e a fiscalização do desmatamento ilegal.

O USTR sustenta que determinadas medidas brasileiras dificultam a atuação de empresas dos Estados Unidos e criam condições comerciais consideradas desfavoráveis. O governo brasileiro rejeita essa interpretação e afirma que as políticas questionadas obedecem às leis nacionais e às regras internacionais.

No caso do Pix, Brasília argumenta que o sistema não impede a participação de instituições estrangeiras. Empresas de outros países podem operar na plataforma desde que estejam autorizadas pelo Banco Central e atendam às exigências aplicáveis ao mercado financeiro brasileiro.

O governo também ressalta que os Estados Unidos mantêm historicamente superávit no comércio bilateral, circunstância utilizada para contestar a alegação de que o Brasil adota uma relação comercial prejudicial aos norte-americanos.

Tarifa começa a valer em 22 de julho

A sobretaxa de 25% entrará em vigor em 22 de julho e será aplicada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O dispositivo permite que Washington adote medidas contra práticas estrangeiras classificadas como injustificáveis, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio norte-americano.

A cobrança alcançará milhares de mercadorias, incluindo açúcar, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos, roupas, papel, produtos siderúrgicos e outros itens industriais e agropecuários.

O governo Trump, entretanto, ampliou a relação de exceções. Carne bovina, café, suco de laranja, terras raras, determinados produtos energéticos, aeronaves e componentes aeronáuticos estão entre os itens que não serão atingidos.

As exclusões procuram evitar problemas no abastecimento dos Estados Unidos e reduzir impactos sobre setores que dependem de matérias-primas brasileiras. Segundo estimativa divulgada pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil, as exceções abrangem aproximadamente US$ 11 bilhões em transações anuais.

Mesmo com as dispensas, a medida deverá afetar empresas que dependem do mercado norte-americano. A tarifa será cobrada dos importadores nos Estados Unidos, mas parte do custo poderá chegar aos exportadores brasileiros por meio da redução das encomendas ou da renegociação dos preços.

Outra investigação do USTR, relacionada ao combate ao trabalho forçado nas cadeias internacionais de produção, deverá ser concluída em 24 de julho. O procedimento poderá resultar em uma tarifa adicional de 12,5% para determinados produtos, elevando a cobrança total a até 37,5% nos casos de sobreposição.

Flávio havia pedido adiamento da medida

A manifestação desta quinta-feira ocorre poucos dias depois de Flávio adotar uma posição diferente diante das autoridades norte-americanas.

Durante a fase de consultas conduzida pelo USTR, o senador pediu que a decisão sobre as tarifas fosse adiada. O argumento apresentado era de que a aplicação da medida antes das eleições de outubro poderia ser explorada politicamente pelo governo Lula e prejudicar trabalhadores e empresas brasileiras.

Flávio também defendeu publicamente o Pix e afirmou que o sistema representa uma inovação positiva. O senador procurou diferenciar a defesa da plataforma de suas críticas ao governo e ao Banco Central.

A tentativa de impedir ou postergar a cobrança passou a ser utilizada por aliados do parlamentar para sustentar que ele buscou proteger os interesses econômicos brasileiros. O governo e partidos governistas, por outro lado, acusam integrantes da família Bolsonaro de manter proximidade com Washington e de contribuir para transformar questões políticas internas em instrumentos de pressão internacional.

A disputa sobre quem deve ser responsabilizado tende a se intensificar durante a campanha. Flávio apresenta a tarifa como consequência de erros diplomáticos e econômicos de Lula, enquanto o presidente afirma que a decisão possui motivação política e representa uma interferência indevida nas escolhas soberanas do Brasil.

Governo prepara resposta comercial

Lula classificou a medida como injustificada e informou que o Brasil iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.

A legislação autoriza o país a responder a barreiras comerciais unilaterais que prejudiquem produtos e interesses brasileiros. As possíveis contramedidas podem incluir tarifas sobre mercadorias norte-americanas ou a suspensão de concessões comerciais.

A aplicação não será automática. O governo precisará avaliar os setores atingidos, calcular os efeitos econômicos e definir uma reação proporcional que não provoque prejuízos maiores para empresas e consumidores brasileiros.

Brasília também pretende levar a disputa aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. Paralelamente, representantes brasileiros afirmam que os canais diplomáticos permanecerão abertos para novas negociações.

O próprio USTR declarou que continua disposto a negociar, apesar da entrada em vigor da tarifa. Uma eventual revisão dependerá de avanços nas áreas questionadas pelos Estados Unidos ou da construção de um novo entendimento entre os dois governos.

Disputa comercial entra na campanha

A proximidade das eleições transforma os efeitos da medida em um dos principais temas do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O senador deverá insistir no argumento de que o governo falhou na diplomacia e perdeu a capacidade de construir um acordo com o principal parceiro comercial do Brasil nas Américas.

Lula e seus aliados, por sua vez, deverão explorar o discurso de defesa da soberania e questionar a relação política entre a família Bolsonaro e integrantes da administração Trump.

Os efeitos concretos da tarifa dependerão da exposição de cada setor, da possibilidade de redirecionar exportações e das medidas de apoio que venham a ser adotadas pelo governo brasileiro.

Empresários pressionam pela continuidade do diálogo para evitar uma sequência de retaliações. Uma escalada poderá aumentar o custo de matérias-primas, reduzir encomendas e prejudicar cadeias produtivas existentes nos dois países.

A discussão também envolve uma contradição que deverá ser explorada durante a campanha. Flávio pediu aos Estados Unidos que não aplicassem a tarifa antes da eleição, mas, depois da confirmação da cobrança, passou a utilizar a medida como argumento contra Lula.

Com isso, um conflito iniciado em investigações sobre comércio digital, etanol, propriedade intelectual e meio ambiente tornou-se mais um elemento da polarização eleitoral brasileira.

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Tags: #Brasil#ComércioExterior#DonaldTrump#Economia#Eleições2026#EstadosUnidos#exportaçõesbrasileiras#FlávioBolsonaro#LeiDaReciprocidade#Lula#MarcoRubio#Pix#política#tarifaço#USTR
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