O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, voltou a colocar a segurança das urnas eletrônicas no centro do debate político durante um encontro com representantes diplomáticos em Brasília.
A manifestação ocorreu nesta terça-feira (21), durante um almoço com embaixadores estrangeiros no evento “Debating Brazil”. A iniciativa foi promovida pela agência Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, veículo especializado na cobertura do Brasil em língua inglesa. A reunião foi realizada no restaurante Oscar, localizado no Brasília Palace Hotel.
Ao falar sobre os sistemas eleitorais, Flávio mencionou documentos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, a CIA, divulgados na semana anterior pelo governo norte-americano. Os relatórios citados tratam da capacidade do governo venezuelano de interferir em sistemas eletrônicos de votação utilizados dentro daquele país.
O senador afirmou que muitas máquinas empregadas nas eleições brasileiras teriam a mesma origem de equipamentos fornecidos pela Smartmatic à Venezuela. A relação apresentada por Flávio, no entanto, não corresponde às informações oficiais sobre a fabricação e a programação das urnas usadas no Brasil.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem desenvolve os programas utilizados no sistema brasileiro de votação. O projeto das urnas e dos sistemas eleitorais é concebido e administrado pela própria Justiça Eleitoral.
A empresa participou, em 2020, de uma licitação destinada à fabricação de novos equipamentos, mas não venceu a concorrência. O contrato foi conquistado pela Positivo. A Smartmatic prestou apenas serviços de treinamento para profissionais de suporte técnico, além de conexão de dados e voz, sem participação na programação das urnas ou na apuração dos votos.
Depois de relacionar a empresa venezuelana aos equipamentos brasileiros, Flávio declarou que não pretendia questionar diretamente o sistema eleitoral nacional. O parlamentar defendeu que outros países enviem o maior número possível de observadores para acompanhar o pleito de 2026.
A participação de missões nacionais e internacionais já está prevista e regulamentada pelo TSE. De acordo com a Justiça Eleitoral, esses grupos acompanham as diferentes etapas do processo para ampliar a transparência, fortalecer a integridade das eleições e verificar a imparcialidade da organização do pleito.
A fala também provocou comparações com a reunião realizada por Jair Bolsonaro com embaixadores em julho de 2022. Naquela ocasião, o então presidente utilizou a estrutura oficial da Presidência para apresentar acusações contra o sistema eleitoral. O episódio contribuiu para a decisão do TSE que declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
O encontro desta terça-feira, entretanto, foi organizado por entidades privadas e ocorreu fora da estrutura oficial do governo. Ainda assim, a escolha de diplomatas estrangeiros como público e a retomada do debate sobre as urnas colocaram a declaração de Flávio no centro das discussões da corrida presidencial de 2026.
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