O senador Flávio Bolsonaro afirmou que pretende transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém caso seja eleito presidente nas eleições previstas para outubro. A declaração foi feita durante participação em conferência internacional sobre antissemitismo realizada na própria cidade.
Durante entrevista ao portal JNS, o parlamentar afirmou que pretende realizar a mudança diplomática nos primeiros seis meses de mandato. Segundo ele, a medida simbolizaria uma reaproximação entre Brasil e Israel.
No discurso, o senador também criticou duramente o atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de adotar posições hostis em relação a Israel. A declaração ocorre após tensões diplomáticas surgidas quando Lula comparou, em discurso realizado na Etiópia em 2024, a ofensiva israelense em Gaza ao Holocausto.
Após a declaração, o governo de Israel declarou Lula persona non grata, levando o Brasil a retirar seu embaixador. Em 2025, a crise se aprofundou quando Israel rebaixou relações diplomáticas após impasse envolvendo a indicação de novo representante israelense, segundo reportagens do The Times of Israel.
Bolsonaro afirmou ainda que pretende integrar o Brasil aos chamados Acordos de Isaac, iniciativa promovida por países latino-americanos para ampliar cooperação com Israel, inspirada nos acordos diplomáticos firmados anteriormente entre Israel e nações árabes.
Mudanças religiosas e impacto político
A visita do senador ocorre em um contexto de transformações religiosas e políticas na América Latina. Um levantamento divulgado pelo Pew Research Center apontou queda significativa da população católica na região na última década, enquanto igrejas evangélicas registraram crescimento.
No Brasil, segundo o estudo, os católicos representam atualmente 46% dos adultos, enquanto protestantes somam cerca de 29%. Apesar da mudança, a crença religiosa segue forte: 98% dos brasileiros afirmam acreditar em Deus.
Analistas apontam que grupos evangélicos têm demonstrado alinhamento crescente com pautas pró-Israel, o que influencia debates políticos internos.
Situação da família Bolsonaro
Durante a conferência, o senador também comentou a prisão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado após investigações sobre tentativa de golpe depois das eleições de 2022. Flávio classificou a condenação como perseguição política.
O evento em Jerusalém foi organizado pelo Ministério de Assuntos da Diáspora de Israel e contou com a presença de diversas lideranças internacionais, entre elas o parlamentar holandês Geert Wilders, o ex-chanceler austríaco Sebastian Kurz e o ex-primeiro-ministro australiano Scott Morrison.
Embora a conferência tenha sido alvo de críticas em edições anteriores, organizadores afirmaram ter ampliado o diálogo com comunidades judaicas internacionais para reduzir controvérsias neste ano.
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