O primeiro turno das eleições de 2026 mostrou que a influência política da família Bolsonaro não ficou restrita à disputa pela Presidência da República. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Além da corrida presidencial, o resultado das urnas também ampliou a presença de integrantes da família Bolsonaro no Congresso e fortaleceu o espaço ocupado pelo PL e por candidatos aliados em diferentes partidos.
O cenário ocorre enquanto Jair Bolsonaro permanece inelegível e fora da disputa eleitoral. Com isso, outros nomes da família assumiram posições de destaque na eleição deste ano, distribuindo a atuação política do grupo entre diferentes cargos e frentes partidárias.
Flávio chega ao segundo turno
Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado no primeiro turno da eleição presidencial. De acordo com os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula teve 53.876.617 votos, ou 45,16%.
A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual. A disputa agora será definida em uma nova votação, marcada para 25 de outubro.
O resultado também representa a continuidade da presença do campo político ligado ao bolsonarismo em uma eleição presidencial de segundo turno, desta vez com Flávio ocupando o lugar que anteriormente havia sido disputado pelo próprio Jair Bolsonaro.
Apoio a candidatos ao Senado
A influência de Flávio também apareceu nas eleições para o Senado. Levantamentos publicados após a votação apontam que candidatos apoiados pelo senador foram eleitos em diferentes estados.
Segundo levantamento divulgado pela Jovem Pan, 30 dos 48 candidatos ao Senado que receberam apoio de Flávio foram eleitos. Já candidatos que contaram com apoio oficial de Lula conquistaram 18 das 54 cadeiras que estavam em disputa. Ao todo, nomes apoiados pelos dois presidenciáveis ocuparam 48 das 54 vagas renovadas neste ano.
Outro levantamento, citado pelo UOL, aponta que o PL e partidos aliados elegeram 30 dos 54 senadores em disputa e que a próxima composição da Casa deverá contar com uma parcela expressiva de parlamentares alinhados ao bolsonarismo.
Os números mostram que a disputa presidencial também teve reflexos nas eleições legislativas, embora o apoio a determinado candidato não signifique necessariamente que todos os seus eleitores compartilhem das mesmas posições políticas.
Família Bolsonaro ocupa diferentes espaços
A eleição de 2026 também consolidou uma atuação política mais distribuída entre integrantes da família Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro foram eleitos para o Senado, enquanto Jair Renan Bolsonaro e Renato Bolsonaro conquistaram vagas na Câmara dos Deputados.
Com diferentes integrantes ocupando cadeiras no Legislativo e Flávio disputando a Presidência, a família passa a ter representantes em diferentes níveis da política nacional.
O movimento também ocorre paralelamente ao crescimento da bancada do PL. Segundo levantamento da Folha, o partido conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados na eleição de 2026.
Religião e costumes aparecem entre os temas da campanha
Questões relacionadas a religião, segurança pública, costumes e oposição ao PT estiveram entre os assuntos mobilizados durante a campanha presidencial.
Pesquisas realizadas ao longo do período eleitoral mostram diferenças importantes entre grupos religiosos. Em levantamento do Datafolha divulgado em outubro, Flávio aparecia com 52% das intenções de voto entre eleitores evangélicos, enquanto Lula registrava 26% nesse segmento. No eleitorado geral da mesma pesquisa, Lula tinha 42% e Flávio, 38%.
Os dados ajudam a identificar diferenças no comportamento de determinados grupos, mas não permitem concluir que uma única pauta seja responsável pelo voto em determinado candidato.
Outro levantamento, realizado pelo PoderData em janeiro de 2026, mostrou que 68% dos entrevistados eram contrários à liberação do aborto no Brasil, enquanto 22% se declaravam favoráveis. A pesquisa, entretanto, não estabeleceu relação entre essa opinião e o apoio eleitoral à família Bolsonaro.
Críticas ao STF também fizeram parte do debate
A relação entre o bolsonarismo e o Supremo Tribunal Federal (STF) foi outro assunto presente na campanha.
Decisões judiciais envolvendo Jair Bolsonaro e outros políticos de direita foram utilizadas por setores da oposição nas críticas à atuação do Judiciário. O tema também apareceu em manifestações de candidatos e apoiadores do campo político ligado ao ex-presidente.
As discussões sobre o STF ganharam espaço ao lado de outros assuntos da campanha, como segurança pública, religião, costumes e oposição ao PT.
Apesar da relevância do tema no discurso político, não é possível atribuir diretamente o resultado eleitoral de Flávio Bolsonaro ou de outros candidatos a um único fator.
Bolsonarismo chega a 2027 com presença ampliada
O resultado do primeiro turno deixa a família Bolsonaro diante de um cenário político que vai além da disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro segue na corrida pelo Palácio do Planalto e terá Lula como adversário no segundo turno. No Congresso, integrantes da família e aliados deverão ocupar novas cadeiras a partir da próxima legislatura.
O resultado também indica uma presença ampliada do PL na Câmara e uma articulação de candidatos apoiados por Flávio em diferentes partidos e estados.
A força política do grupo nos próximos anos dependerá, entre outros fatores, da atuação dos parlamentares eleitos, da organização partidária e do resultado da disputa presidencial de 25 de outubro. Os números do primeiro turno, porém, mostram que a influência eleitoral associada ao bolsonarismo permaneceu distribuída entre diferentes candidaturas mesmo sem Jair Bolsonaro concorrendo diretamente.
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