O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão (GIG) está oficialmente sob nova administração. A espanhola Aena assumiu nesta terça-feira (6) a gestão do terminal, um dos principais aeroportos do país, e ficará responsável pela concessão até maio de 2039.
A mudança foi formalizada com a assinatura do contrato de compra e venda das ações da concessionária. A operação conclui uma etapa iniciada em março, quando a Aena venceu o processo de venda assistida do Galeão com uma oferta de R$ 2,9 bilhões.
Com a aquisição, a companhia passa a controlar 100% da concessionária responsável pelo aeroporto. A transação também marca a saída definitiva da Infraero do quadro acionário. A estatal federal ainda possuía 49% da concessionária
Aena amplia presença no Brasil
A chegada ao Galeão reforça a atuação da empresa espanhola no mercado brasileiro. Com o aeroporto carioca, a Aena passa a administrar 18 terminais no país, incluindo Congonhas, em São Paulo, além de aeroportos em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará e Minas Gerais.
A rede brasileira administrada pela companhia movimenta mais de 63 milhões de passageiros por ano. Considerando suas operações internacionais, o grupo está presente em cinco países e administra 81 aeroportos.
Para o Rio de Janeiro, a entrada da Aena também cria a possibilidade de uma atuação coordenada entre Galeão e Congonhas, dois aeroportos estratégicos para o transporte aéreo nacional.
A própria concessionária aponta essa integração como uma das oportunidades abertas pela nova configuração. O objetivo é aproveitar a presença da empresa em diferentes mercados para fortalecer as conexões domésticas e internacionais do terminal carioca.
Galeão movimentou 17,8 milhões de passageiros em 2025
O tamanho do Galeão ajuda a explicar a importância do negócio para a Aena.
Em 2025, o aeroporto recebeu 17,8 milhões de passageiros. Desse total, 5,7 milhões viajaram em voos internacionais. O movimento colocou o Galeão como o terceiro aeroporto brasileiro em número de passageiros e a segunda maior porta de entrada aérea internacional do país, atrás de Guarulhos, em São Paulo.
O terminal também ocupa uma posição relevante no transporte de cargas. Cerca de 68 mil toneladas passaram pelo aeroporto em 2025, o terceiro maior volume registrado entre os aeroportos brasileiros.
Para a nova administradora, essas características dão ao Galeão potencial para ampliar a participação tanto no mercado de passageiros quanto na logística aérea.
Nova gestão mira expansão das conexões
A Aena informou que pretende concentrar a administração do Galeão em quatro frentes principais: eficiência operacional, experiência dos passageiros, fortalecimento do transporte de cargas e geração de valor econômico para a cidade e para o estado do Rio.
Outro objetivo declarado é aumentar as possibilidades de conexão do aeroporto com destinos brasileiros e internacionais.
O presidente e CEO da Aena, Maurici Lucena, classificou o Galeão como um aeroporto fundamental para a conectividade brasileira e destacou o potencial do terminal para ampliar a oferta de ligações nacionais e internacionais.
A integração com Congonhas é considerada especialmente estratégica. A Aena já administra o aeroporto paulistano e avalia que a presença nos dois terminais pode criar sinergias na operação e na articulação com as companhias aéreas.
Concessão foi reformulada
A chegada da Aena encerra uma longa fase de indefinições em torno da concessão do Galeão.
A antiga concessionária havia solicitado a devolução do aeroporto ao governo federal em 2022. A partir daí, foi construída uma solução para evitar a interrupção do contrato e permitir a entrada de um novo operador.
O modelo adotado foi o de venda assistida, estruturado após a repactuação da concessão.
No leilão realizado em 30 de março, o lance mínimo estava fixado em R$ 932 milhões. A disputa contou também com a Zurich Airport e com o grupo que participava da operação anterior. Depois da etapa de lances, a Aena venceu oferecendo R$ 2,9 bilhões.
Além do valor pago pela aquisição, o novo modelo determina que a concessionária repasse à União 20% do faturamento anual do aeroporto até o encerramento da concessão, em 2039.
Terceira pista deixa de ser obrigação contratual
A reformulação também mudou algumas exigências existentes na concessão anterior.
Uma delas é a construção de uma terceira pista. A Aena não terá obrigação contratual de executar essa obra. Segundo informações divulgadas pela própria companhia quando venceu o leilão, a infraestrutura atual do Galeão tem capacidade para absorver a demanda projetada para o restante do período da concessão.
Isso não impede que investimentos sejam realizados durante a gestão, mas significa que uma terceira pista não faz parte das obrigações previstas no contrato atual.
Novo capítulo para o principal aeroporto internacional do Rio
A entrada da Aena ocorre em um momento de recuperação do movimento no Galeão e acrescenta um dos principais aeroportos brasileiros ao portfólio da empresa.
Para a concessionária, o desafio será transformar a escala internacional do grupo em crescimento para o terminal carioca, principalmente por meio da atração de voos, integração com outros aeroportos da rede, melhoria dos serviços aos passageiros e expansão do segmento de cargas.
A concessão termina em 7 de maio de 2039, conforme o cronograma oficial do governo federal.
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