O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, aparece como ganhador em 570 registros de prêmios e apostas que somam R$ 176,4 milhões, entre janeiro de 2020 e junho de 2025. As movimentações foram identificadas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e passaram a integrar uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Dono da Entre Investimentos e ligado ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, Freixo está entre os alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24). A nova etapa, denominada Crédito Oculto, busca identificar estruturas financeiras utilizadas para esconder a origem de recursos e os verdadeiros responsáveis por operações empresariais.
As informações sobre as premiações constam de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que serviram de base para o pedido de medidas judiciais apresentado pelo Ministério Público.
Segundo os investigadores, o volume financeiro e a frequência dos registros levantaram suspeitas de que o sistema de apostas e premiações poderia ter sido utilizado para dar aparência legal a dinheiro de origem ilícita.
O valor exato das premiações atribuídas ao empresário chega a R$ 176.454.302.
Movimentações imobiliárias de R$ 1,67 bilhão também são investigadas
Os registros de apostas não são as únicas operações financeiras que chamaram a atenção das autoridades.
A investigação aponta que Freixo também aparece associado a movimentações de aproximadamente R$ 1,67 bilhão em operações imobiliárias e R$ 1,21 milhão em dinheiro vivo.
Esses valores foram mencionados na decisão judicial que autorizou as medidas da operação e fazem parte da análise sobre a origem e o destino dos recursos movimentados pelo empresário.
O Ministério Público suspeita que empresas do grupo controlado por Freixo tenham sido utilizadas para movimentar recursos de uma organização criminosa com atuação no mercado de combustíveis.
A investigação procura esclarecer a participação de cada pessoa e empresa nas transações, além de identificar os beneficiários finais das operações.
Empresário também é delator no caso Banco Master
Antônio Carlos Freixo Júnior também está ligado às investigações envolvendo o Banco Master.
O empresário firmou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na colaboração, ele apresentou informações sobre movimentações financeiras realizadas por empresas do Grupo Entre e operações relacionadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.
Entre as transações mencionadas estão repasses para um fundo de investimento nos Estados Unidos que recebeu recursos destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A relação de Freixo com diferentes operações financeiras passou a ser examinada em investigações que apuram suspeitas de irregularidades envolvendo empresas e fundos de investimento.
Nova fase da Carbono Oculto apura movimentações de R$ 11,6 bilhões
A Operação Crédito Oculto busca desvendar um esquema que, segundo o Ministério Público e a Receita Federal, teria utilizado instituições financeiras, fundos de investimento e empresas de fachada para ocultar o controle de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo.
A estrutura também teria sido empregada para viabilizar a aquisição de uma distribuidora de combustíveis, escondendo os verdadeiros financiadores e beneficiários do negócio.
De acordo com a Receita Federal, uma das empresas financeiras envolvidas movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
Os investigadores identificaram ainda uma operação de cerca de R$ 100 milhões que teria passado por diferentes contas bancárias e estruturas financeiras antes de chegar à usina utilizada no negócio.
A suspeita é de que os recursos tenham circulado por fintechs e empresas intermediárias para dificultar o rastreamento do dinheiro e esconder sua origem.
Operação tem alvos em sete estados
A terceira fase da Carbono Oculto reúne o Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Receita Federal e órgãos estaduais de fiscalização e segurança.
São cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas.
As medidas alcançam São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Santa Catarina.
As autoridades procuram documentos, registros bancários e outros elementos que possam esclarecer o funcionamento da estrutura financeira investigada e identificar possíveis responsáveis pela lavagem de dinheiro.
A apuração continua, e as suspeitas apresentadas pelo Ministério Público ainda dependem de comprovação no processo judicial.
Até a publicação das informações consultadas, a defesa de Antônio Carlos Freixo Júnior não havia apresentado manifestação sobre as suspeitas relacionadas às premiações e às movimentações financeiras.
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