Sob risco de perder o mandato por excesso de faltas, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) utilizou as redes sociais, na quarta-feira (10), para atacar o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Motta foi o responsável por notificá-lo formalmente de que ele atingiu o número de ausências suficientes para que seu processo de cassação seja analisado.
No vídeo publicado, Eduardo Bolsonaro afirmou que Motta “escolheu a desonra e ainda terá a guerra”, em referência à notificação recebida. O parlamentar vive nos Estados Unidos desde fevereiro e justificou as ausências dizendo ser alvo de perseguição política. Ele também acusou o presidente da Câmara de se alinhar ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
“Eu só tenho um número de faltas suficientes para a cassação do meu mandato porque o senhor, de algum modo, não reconhece o estado de perseguição que eu sofro. Porque você prefere serrar fileiras com o Alexandre de Moraes”, afirmou.
Segundo Motta, Eduardo Bolsonaro tem cinco sessões consecutivas para apresentar defesa e tentar evitar a cassação. Em tom mais duro, o deputado afirmou que líderes do Congresso estariam “submissos” ao Judiciário. “Eu não sei qual é essa sanha que as pessoas têm de serem bonequinhas do Alexandre de Moraes. Isso não é democracia. Isso não é liberdade”, declarou.
Ao longo do vídeo, Eduardo Bolsonaro também afirmou que a pressão contra o ministro partirá da população. “Você vai pagar o preço, Moraes. Quando você for às ruas, vai ter gente te cobrando”, disse o parlamentar.
A Câmara confirmou que tanto Eduardo Bolsonaro quanto Alexandre Ramagem (PL-RJ) foram notificados por faltarem a mais de um terço das sessões deliberativas. Ambos terão cinco dias úteis para apresentar defesa. Motta afirmou que os pedidos de cassação começam a ser analisados na próxima semana.
“É impossível o exercício do mandato parlamentar fora do território nacional”, afirmou o presidente da Câmara.
Ramagem também está nos Estados Unidos. Ele teve a prisão decretada por Alexandre de Moraes após deixar o país. Condenado no processo da trama golpista, o ex-diretor da Abin pode perder o mandato por determinação do plenário da Câmara.
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