O vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), deputado Duarte Jr. (PSB-MA), registrou um boletim de ocorrência por ameaça contra o deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA) nesta quarta-feira (5). Segundo o parlamentar, Araújo teria enviado uma mensagem com teor de ameaça de morte, após ser citado em depoimentos da CPMI.
De acordo com o registro policial, Duarte tomou conhecimento da mensagem dentro das dependências da Câmara dos Deputados, o que levou o caso à Polícia Legislativa Federal. O deputado também solicitou ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), uma escolta para ele e sua família.
Em prints obtidos pelo portal Metrópoles, Edson Araújo teria dito a Duarte que eles ainda “iriam se encontrar”. Ao ser questionado se se tratava de uma ameaça, respondeu que “sim” e, em seguida, completou: “Você vai saber”.
A troca de mensagens ocorreu em meio às investigações da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura descontos irregulares em benefícios do INSS entre 2019 e 2024. A operação investiga diversas entidades, entre elas a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), da qual Araújo é vice-presidente.
O escândalo envolvendo fraudes em mensalidades de aposentados foi revelado pelo Metrópoles a partir de dezembro de 2023. As reportagens mostraram que as entidades envolvidas arrecadaram cerca de R$ 2 bilhões em um ano e respondem a milhares de processos por filiações fraudulentas.
As denúncias motivaram inquéritos da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), além de contribuírem para a demissão do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, após a deflagração da operação em abril de 2024.
Durante sessão da CPMI na última segunda-feira (3), Duarte Jr. questionou o presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, sobre repasses de quase R$ 5 milhões a Edson Araújo e a pessoas ligadas ao seu gabinete na Assembleia Legislativa do Maranhão. O depoente permaneceu em silêncio, e Duarte defendeu publicamente a expulsão de Araújo do PSB.
O caso segue sob apuração da Polícia Legislativa Federal.
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