O casamento entre o PT e o PSB na eleição do Rio entrou em fase de divórcio. Por meio de sua página no Twitter, o presidente do diretório regional petista, João Maurício, o Joãozinho, publicou cópia de uma resolução enviada à executiva estadual, em que solicita o rompimento do apoio a Marcelo Freixo (PSB) na disputa sucessória.
No documento, ele justifica que o pedido se dá “em função da manutenção da candidatura avulsa e divisionista de Alessandro Molon ao Senado Federal, sustentada pelo Presidente Nacional do PSB”.
O movimento de ruptura acontece logo após o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, lavar as mãos em relação à vaga de candidato ao Senado. Os petistas alegam que pelo acordo, a vaga seria do presidente da Alerj, André Ceciliano (PT).
Em entrevista a CNN Brasil na segunda-feira (1º), ao ser questionado sobre a crise na aliança na disputa pelo governo do Rio e outros estados, Siqueira afirmou que os diretórios estaduais do partido possuem autonomia para escolher seus próprios candidatos nas eleições (confira vídeo acima).
Crise no palanque se agrava. O PT do Rio está cada vez mais perto de desembarcar do apoio à candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo do Rio. O estopim do racha continua sendo o deputado Alessandro Molon. https://t.co/jrDL6GZVa7 pic.twitter.com/hD4njzR77n
— Roberto Barbosa (@rgbarbosa) August 2, 2022
No último domingo (31), durante um encontro de pré-candidatos a deputados pelo PSB fluminense, o grupo manifestou insatisfação com Molon, presidente da Comissão Provisória no Estado e defendeu que ele dispute reeleição para a Câmara Federal, mantendo o compromisso com o PT.
De acordo com o jornal Valor Econômico, o grupo chegou a esboçar uma carta para direção nacional manifestando preocupação com o atual momento das negociações com o PT. A reportagem do jornal Diário da Guanabara teve acesso ao esboço. Confira:
Presidente companheiro socialista Carlos Siqueira;
Faltam exatos 15 dias para o início do processo eleitoral e estamos muito preocupados com os rumos do partido e das campanhas no Rio de Janeiro, o seio do bolsonarismo e epicentro da disputa política no Brasil.
Aqui, conseguimos, em torno do PSB, uma frente democrática jamais vista de 8 partidos. E, aqui, queremos – também para o pós-eleição – construir um partido forte, vivo e atuante, inclusive com espaço para o contraditório.
Temos preocupações muito urgentes de natureza política, institucional e material. Alguns pontos específicos vêm nos deixando muito preocupados:
- A direção eleita no Congresso em dezembro passado até hoje não tomou posse.
- Nunca tivemos uma reunião entre os candidatos. Não temos acesso aos nomes das chapas, nem mesmo para articular dobradinhas entre nós.
- Não conseguimos ter acesso e nem resposta sobre as questões burocráticas das candidaturas.
- A convenção estadual realizada nos causou muita estranheza. Os candidatos foram aconselhados a não irem. Os que foram, chegaram a ser barrados na entrada. Não houve a leitura dos nomes dos proporcionais e muito menos a resolução dos números. Problema este, aliás, que deixou boa parte dos candidatos insatisfeitos pela forma como se deu.
- Até hoje, não temos a segurança de quais serão os nossos números e nem se as candidaturas serão homologadas no TRE no momento certo. Houve uma promessa de tudo se resolver dias depois – através da Executiva Estadual – mas esta parece que nunca foi chamada.
- Também não temos certeza e clareza de como será a distribuição do fundo partidário e do tempo de tv. Nunca houve conversas resolutivas nesse sentido, nem individual e muito menos coletiva.
Como encaminhamentos, defendemos:
- Que o nosso presidente Alessandro Molon – parlamentar que tanto nos orgulha – venha candidato a deputado federal e todos façamos um esforço que ele seja o mais votado do estado. Essa resolução é primordial para o partido, pois será a forma de – além de mantermos a qualidade do seu nome na Câmara- ajudar a eleger uma bancada grande socialista. Temos uma tarefa principal que é eleger Lula e Alckmin e estamos vendo a crise política que a questão do Senado está causando para a chapa nacional e, óbvio, para a coesão da chapa estadual. A candidatura de Molon ajudará muito o Brasil e o PSB Fluminense e precisamos estar a serviço disso. Temos certeza que o nosso companheiro não se furtará a essa tarefa nesse momento político tão grave do país.
- Que haja urgentemente a homologação das candidaturas com os números sendo acordados politicamente ou, caso não haja como, que seja feito de forma democrática a escolha.
- Definição de critérios políticos para a distribuição do tempo de TV e Fundo Partidário.
Não podemos mais esperar!
Lucélia Santos, Édson Santos, Wesley Teixeira, Pratinha, Marcos Uchoa, Leandro Cunha, Tiago Gomes.











