Coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio de Carvalho defende que Alexandre de Moraes esclareça sua relação com o caso Banco Master e Daniel Vorcaro.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, um dos coordenadores da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve prestar esclarecimentos sobre sua relação com o caso envolvendo o Banco Master e o ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro.
A declaração foi divulgada nesta quarta-feira (16), em meio à crise que atingiu o Supremo após a divulgação de mensagens e informações relacionadas ao caso. Carvalho procurou separar os questionamentos sobre o Banco Master da atuação de Moraes no julgamento da tentativa de golpe.
Segundo o coordenador, o reconhecimento ao trabalho do ministro na condução daquele processo não significa que ele esteja dispensado de explicar sua situação no episódio envolvendo Vorcaro.
Atuação no julgamento do golpe
Carvalho afirmou que Moraes cumpriu suas atribuições no julgamento relacionado à tentativa de ruptura democrática e que o reconhecimento pelo trabalho deveria alcançar também os demais ministros que participaram do processo.
Na avaliação dele, porém, esse histórico não cria uma condição especial para o ministro diante das suspeitas que passaram a ser discutidas no caso Banco Master.
A cobrança de Carvalho ocorre enquanto o STF enfrenta uma crise interna relacionada à investigação sobre possíveis vínculos entre integrantes da Corte e Daniel Vorcaro. Até o momento, as suspeitas e alegações relacionadas a Moraes são objeto de apuração e não equivalem, por si só, a uma conclusão de irregularidade.
Declarações de Lula aumentaram a repercussão
As declarações de Marco Aurélio de Carvalho ocorreram depois de Lula também comentar publicamente a crise envolvendo o Supremo.
Em entrevista concedida nesta quarta-feira, o presidente afirmou que ninguém deve estar acima da lei quando existem suspeitas ou acusações. Lula também defendeu que as informações relacionadas ao Banco Master sejam apuradas e que o presidente do STF, Edson Fachin, conduza os procedimentos dentro de suas atribuições.
O presidente ainda comentou a investigação envolvendo o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro. Parte desse material passou a estar disponível para ministros do Supremo, aumentando a quantidade de informações que podem ser analisadas no âmbito do caso.
Crise envolve diferentes ministros do STF
A investigação sobre o Banco Master também provocou divergências entre ministros do Supremo. Na terça-feira (15), uma sessão que discutiria a abertura de uma investigação envolvendo Moraes terminou sem decisão definitiva depois de um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
A discussão foi marcada por divergências entre integrantes da Corte sobre a condução do caso e sobre informações relacionadas ao relatório da Polícia Federal. Dino pediu mais tempo para analisar o material, e o prazo previsto para a devolução pode chegar a 90 dias.
Moraes, por sua vez, apresentou defesa na qual contesta a investigação e afirma que não praticou qualquer ato de ofício em favor do Banco Master. O ministro também questiona a validade de parte dos procedimentos utilizados para fundamentar a apuração.
Lula também defende mudanças no Judiciário
Durante as manifestações sobre o caso, Lula afirmou que a crise envolvendo o Supremo demonstra a necessidade de discutir mudanças na estrutura do Poder Judiciário.
O presidente disse que a Justiça precisa recuperar a confiança da sociedade e defendeu uma nova discussão sobre o funcionamento das instituições e os critérios relacionados à composição do Judiciário.
A crise ocorre em um período de forte disputa política, com as eleições de 2026 no horizonte. Por isso, as declarações de Lula, de integrantes de seu grupo político e de parlamentares da oposição passaram a fazer parte do debate eleitoral em torno das investigações sobre o Banco Master e da atuação do STF.
Investigação ainda está em andamento
As informações relacionadas às relações entre Daniel Vorcaro, ministros do STF e outras autoridades continuam sendo analisadas pelas instituições responsáveis. A existência de mensagens, contatos ou relações pessoais não constitui, isoladamente, prova de favorecimento ou de prática criminosa.
No caso de Moraes, o ministro nega irregularidades e afirma que não existe ato concreto que demonstre atuação em benefício do Banco Master. A apuração deverá determinar a relevância dos elementos reunidos e se há fundamento para eventual responsabilização.
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