O aumento salarial aprovado para os servidores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na terça-feira (3) terá impacto estimado de R$ 790,4 milhões, valor superior à arrecadação anual de 95% dos municípios brasileiros, segundo levantamento publicado pelo Metrópoles.
O custo está dividido entre R$ 592 milhões para a Câmara e R$ 198,4 milhões para o Senado, conforme projeções incluídas na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Além disso, a legislação prevê R$ 197,147 milhões para servidores do Tribunal de Contas da União (TCU), ampliando o impacto sobre as contas públicas.
O governo federal projeta que o gasto total com reajustes salariais, gratificações e mudanças de carreira para servidores do Poder Executivo alcance R$ 3,8 bilhões em 2026, valor que integra as despesas primárias previstas na LOA.
Gastos administrativos em alta
Os gastos com a administração pública federal chegaram a R$ 72,7 bilhões em 2025, o maior valor em nove anos, segundo dados divulgados pelo jornal Poder 360 com base em informações do Tesouro Nacional.
A alta real, já descontada a inflação, foi de 11,6% em relação a 2024, quando as despesas somaram R$ 65,2 bilhões. O total se aproxima do recorde histórico de 2016, de R$ 77,7 bilhões, durante a transição entre os governos Dilma Rousseff e Michel Temer.
Evolução dos gastos administrativos da União (em bilhões de reais)
- 2011 (Dilma Rousseff): 72,616
- 2012 (Dilma Rousseff): 75,262
- 2013 (Dilma Rousseff): 74,014
- 2014 (Dilma Rousseff): 77,438
- 2015 (Dilma Rousseff): 72,565
- 2016 (transição Dilma → Temer): 77,748
- 2017 (Michel Temer): 68,549
- 2018 (Michel Temer): 68,425
- 2019 (Jair Bolsonaro): 65,841
- 2020 (Jair Bolsonaro, início da pandemia): 61,944
- 2021 (Jair Bolsonaro): 57,779
- 2022 (Jair Bolsonaro): 60,187
- 2023 (Lula): 63,235
- 2024 (Lula): 65,197
- 2025 (Lula): 72,738
As despesas administrativas incluem custos operacionais do governo, como água, energia elétrica, telefone, limpeza, vigilância, apoio operacional e administrativo, combustíveis, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, diárias e passagens, além de serviços bancários.
Especialistas destacam que o aumento das despesas salariais e administrativas pressiona o orçamento federal, principalmente em um cenário de crescimento da inflação e necessidade de investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
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