A inevitável inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, por oito anos, em decorrência de sua condenação na Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) no TSE, o desfecho não decreta o fim do movimento de extrema direita no Brasil. Abala, mas não destrói.
Bolsonaro é o símbolo deste movimento que emergiu dos escombros da desconstrução midiática do PT durante os julgamentos do mensalão e da Lava Jato. O clima de aversão ao PT persiste entre milhões de brasileiros e a reversão deste ambiente será demorado, ainda que todos os processos da Lava Jato representem uma perversão do estado de direito.
A derrubada do mito Lula abriu espaço para ascensão do mito Bolsonaro. E o sentimento que embala o bolsonarismo tornou-se maior do que o seu mito de estimação. Existem ingredientes religiosos, ressentimentos construídos a partir de fake news e desinformações, além de seguir uma tendência de fortalecimento da extrema direita em nível mundial.
Neste momento, a França enfrenta violentos protestos sob aparente reação coletiva à morte de um jovem durante uma abordagem policial. Entre o céu e a torre Eiffel, em Paris, onde a segunda força política é exercida por ninguém menos do que Marine Le Pen, símbolo da extrema direita francesa, existem muito mais segredos do que mostram os noticiários.
A comoção social é fato, mas a insatisfação contra o desastroso governo Emmanuel Macron, com sua aliança suicida aos EUA na política externa e os efeitos colaterais fortalecem Le Pen, assim como no Brasil, o julgamento de Bolsonaro poderá martiriza-lo no seio do movimento que o embala.
A judicialização para contenção do bolsonarismo não derrota este movimento. Essas crenças com apelo popular são semelhantes as ditaduras com bons índices de aprovação. Só morrem quando caem de podre ou com fissuras internas.
Sem entrar no mérito do conteúdo da Aije e o irretocável parecer do ministro do TSE, Benedito Gonçalves, que mapeou o conjunto da obra de um ex-presidente que afrontou reiteradas vezes a Constituição Federal, há uma tendência no ar: nas eleições municipais de 2024, o bolsonarismo ainda não será um peso morto. Ao contrário, será um movimento forte, com robustez suficiente para eleger vereadores e prefeitos.
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