A eleição do vice-governador Thiago Pampolha (MDB) como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) concretizou o primeiro movimento na estratégia de sucessão do presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União/Progressistas). Com a vacância do cargo de vice, Bacellar assume imediatamente a posição de primeiro na linha sucessória do governador Cláudio Castro (PL).
O plano tem etapas definidas: Castro deve desincompatibilizar-se, possivelmente, ainda em 2025, para concorrer ao Senado em 2026, desencadeando um processo de substituição. Bacellar não assumiria nesta etapa. Sendo assim, pela regra constitucional, inicialmente o presidente do Tribunal de Justiça assumiria interinamente. Em seguida, a Alerj realizaria uma eleição indireta para escolher o novo governador – onde Bacellar é o favorito inconteste.
Por que a manobra é estratégica?
Se Bacellar assumisse diretamente a vaga de Castro, perderia o direito à reeleição em 2030. A rota indireta via Alerj, porém, permite que ele governe como titular e busque dois mandatos consecutivos (2026 e 2030).
Bacellar já iniciou sua jornada política visitando prefeitos de municípios estratégicos. Encontros como o que ocorreu com Welberth Rezende (Macaé), na última semana, foram classificados como “produtivos” por ambas as partes.
A proposta é construir um “governo compartilhado” com os municípios, sinalizando fomento a projetos locais como plataforma eleitoral.
Um dos tópicos que pesam favoravelmente ao presidente da Alerj, tanto com prefeitos quanto com os deputados, é o fato de ser considerado “cumpridor de acordos” e não abandonar aliados nos momentos de infortúnio.
Cenário para 2026: oposição sob pressão
A articulação que fortalece o campo governista no RJ:
- O bolsonarismo, mesmo com eventuais ruídos, integra a base de apoio de Bacellar;
- O eleitorado fluminense ainda mantém perfil conservador, reforçando a vantagem;
- A máquina do Estado sob gestão de Bacellar durante a campanha será trunfo decisivo.
Analistas apontam que a oposição enfrentará um desafio estrutural: disputar não apenas contra um candidato, mas contra um governador em exercício com acesso a recursos e alianças já consolidadas, mesmo que a máquina administrativa tenha problemas de endividamento.
Máquina administrativa é poderosa na atração de apoios e votos. Basta lembrar que o ex-governador Sérgio Cabral elegeu Luiz Fernando Pezão como sucessor no pior momento de sua administração.
Agora, portanto, não se trata apenas de uma sucessão: é uma engrenagem política minuciosamente montada para dominar o ciclo de poder no RJ até 2030.
Com o tabuleiro sendo movido desde já, Bacellar projeta-se não como candidato, mas como futuro governante em campanha permanente.
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