A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, princípio ativo utilizado no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Os registros foram concedidos à farmacêutica brasileira EMS e representam uma nova etapa na disputa pelo mercado das chamadas canetas de GLP-1 no país.
As duas versões têm concentração de 6 mg/mL e são administradas por via subcutânea. Embora utilizem o mesmo princípio ativo, elas estão vinculadas a indicações diferentes: uma corresponde ao tratamento da obesidade e do sobrepeso e a outra ao controle do diabetes tipo 2.
A EMS já comercializa medicamentos de liraglutida com essas finalidades sob os nomes Olire, indicado para obesidade e sobrepeso, e Lirux, voltado ao diabetes tipo 2. Ambos haviam recebido registro da Anvisa em dezembro de 2024. Com a nova autorização, entram em cena versões classificadas como genéricas e identificadas pelo próprio princípio ativo, sem nome comercial. A Anvisa inclui Olire e Lirux entre os produtos de liraglutida registrados no país.
Na prática, a novidade pode ampliar a concorrência e reduzir o custo do tratamento. Pelas regras brasileiras, medicamentos genéricos devem chegar ao mercado com preço máximo pelo menos 35% inferior ao do medicamento de referência. Isso não significa, porém, que o consumidor encontrará imediatamente esse desconto nas farmácias: disponibilidade, lançamento e preço efetivamente praticado dependem da comercialização do produto.
O que é a liraglutida
A liraglutida pertence à classe dos agonistas do receptor GLP-1, grupo de medicamentos que atua em mecanismos relacionados ao controle da glicose e à saciedade. A substância já é utilizada há anos no Brasil em tratamentos para diabetes tipo 2 e controle de peso.
A aprovação dos genéricos ocorre em um momento de expansão desse mercado. Nos últimos dois anos, a Anvisa acelerou a análise de novos medicamentos à base de liraglutida e semaglutida diante do aumento da demanda e de preocupações com o abastecimento. Em abril deste ano, a agência informava que havia outros pedidos de registro de liraglutida ainda em avaliação.
O registro como “clone” não significa que o produto seja uma imitação sem avaliação regulatória. Esse é o nome dado pela Anvisa a um procedimento simplificado usado quando o medicamento compartilha fabricante, composição, linha de produção e documentação técnica com outro produto já analisado pelo rito completo.
Venda continua dependendo de receita
A chegada de versões genéricas também não muda as regras para compra desse tipo de medicamento. Desde junho de 2025, os agonistas de GLP-1, incluindo a liraglutida, só podem ser vendidos com retenção da receita na farmácia. A prescrição tem validade de até 90 dias.
A Anvisa reforçou essa exigência após identificar crescimento de eventos adversos associados principalmente ao uso fora das indicações aprovadas. Em 2026, a agência voltou a alertar para riscos como pancreatite aguda e recomendou que esses medicamentos sejam utilizados apenas com prescrição e acompanhamento profissional.
A aprovação, portanto, amplia as opções disponíveis no mercado brasileiro, mas não transforma a liraglutida em um medicamento de uso livre. O principal impacto esperado está no aumento da concorrência e na possibilidade de redução de preços em tratamentos que, até agora, permanecem de custo elevado para muitos pacientes.
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