Morreu aos 108 anos o tenente-coronel Nestor da Silva, um dos últimos veteranos brasileiros da Força Expedicionária Brasileira, a FEB, que lutaram na Segunda Guerra Mundial. A morte foi comunicada pelo Exército Brasileiro no sábado, 30 de maio de 2026. O velório está previsto para este domingo, 31 de maio, no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.
Natural de Lagoa Santa, em Minas Gerais, Nestor da Silva ingressou no Exército em 1938 como praça. Ao longo da carreira militar, chegou à graduação de 2º sargento antes de ser enviado à Itália, em 1944, para integrar o contingente brasileiro que atuou ao lado dos Aliados no combate às forças do Eixo.
A trajetória de Nestor se confunde com uma das páginas mais marcantes da história militar brasileira. Entre 1944 e 1945, mais de 25 mil militares da FEB atravessaram o Atlântico para participar da campanha na Europa, tornando o Brasil o único país latino-americano a enviar tropas para combater no front europeu durante a Segunda Guerra Mundial.
Na Itália, Nestor da Silva integrou o 11º Regimento de Infantaria da FEB e participou de batalhas importantes, entre elas Monte Castello e Montese. De acordo com o Exército, ele foi promovido por bravura durante a Tomada de Montese, uma das ações mais lembradas da participação brasileira no conflito.
Pela atuação em combate, o militar recebeu condecorações de grande relevância, como a Cruz de Combate de 1ª Classe e a Medalha Sangue do Brasil. As honrarias reconhecem atos de coragem, dedicação e sacrifício em operações militares.
Após retornar ao Brasil, em fevereiro de 1946, Nestor se casou com Niva da Silva, sua namorada que o aguardava no país. Ele seguiu na carreira militar, concluiu formação de oficiais da reserva, atuou por sete anos na Brigada de Infantaria Paraquedista e permaneceu no serviço ativo até 1972.
Em nota de pesar, o Exército Brasileiro destacou a vida de Nestor da Silva como exemplo de dedicação, disciplina, coragem e amor ao Brasil. Para a instituição, sua história permanece como referência para novas gerações de militares e civis.
A morte do tenente-coronel também representa a despedida de uma das últimas testemunhas vivas da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Segundo levantamento citado pelo R7 com base na Casa da FEB, restam agora apenas 21 pracinhas vivos da Força Expedicionária Brasileira.
Nestor da Silva deixa cinco filhos, netos e bisnetos. Sua história permanece ligada à memória dos pracinhas brasileiros que enfrentaram o frio, o terreno montanhoso e os combates intensos na Itália, em defesa da liberdade e ao lado das forças aliadas.
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