O dramaturgo Zé Celso Martinez Corrêa tinha 86 anos e estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas, na capital paulista, desde terça-feira (04), após um incêndio ter atingido o apartamento em que morava em São Paulo.
O fundador do Teatro Oficina teve 53% de seu corpo queimado. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu, segundo o último boletim médico divulgado.
O mais longevo dramaturgo em atividade deixa o legado de uma arte que revolucionou a política e os costumes.
Zé Celso foi um dos mais importantes atores e dramaturgos do teatro brasileiro e sua influência nas artes se estendeu muito além do teatro, alcançando também a música e o cinema no Brasil. Provocador, levava o espectador de suas peças a refletir sobre as mazelas políticas e sociais do país.
Nascido em Araraquara em 1937, o ator e dramaturgo estudou direito na faculdade de direito do Largo São Francisco. Lá, junto a outros estudantes, fundou o grupo de teatro amador Oficina, que se profissionalizou em 1962.
Entre as grandes influências nas peças montadas pelo coletivo está o Oswald de Andrade, o russo Constantin Stanilavski, além do teatro épico de Bertold Brecht e o dramaturgo francês Antonin Artaud.
Em 1967 o grupo de Zé Celso encena a peça de Oswald de Andrade, o Rei da Vela, colocando assim o grupo em evidencia no movimento tropicalista. No ano seguinte encenam a peça de Chico Buarque, Roda Viva, causando grande alvoroço por apresentar cenas sexuais e violentas como deboche à ditadura militar.
Preso e torturado pela ditadura militar, se exilou em 1974. Voltou em 1978, fundando Associação Teatro Oficina Uzina Uzona.
O espaço do teatro, na Rua Jaguaribe, no bairro do Bixiga, centro de São Paulo, oferece ao espectador a experiência de um teatro arena de três andares. Lá foram apresentados diversas peças como a releitura dos Sertões, de Euclides da Cunha,
Zé Celso deixa o esposo, de 60 anos, com o qual vivia desde 1986. O casamento oficial entre os dois se deu em junho deste ano.
*Da EBC com edição de Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












