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Petição contra Argentina supera milhões de apoios e pressiona FIFA durante a Copa

Campanha digital acusa arbitragem de favorecer os atuais campeões, mas não apresenta provas de manipulação nem possui poder para excluir a seleção do Mundial.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
15/07/2026 - 17:23
em Esporte
Petição online pede a retirada da Argentina da Copa de 2026 e acusa a arbitragem de favorecimento, mas campanha não apresenta provas de manipulação.

Imagem: Reprodução/ David Ramos/ Via RT

A classificação da Argentina para a semifinal da Copa do Mundo de 2026 passou a dividir as atenções com uma mobilização que ganhou força fora dos estádios. Uma campanha hospedada em um site independente pede a retirada da seleção do torneio e acusa a arbitragem de favorecer Lionel Messi e seus companheiros em partidas decisivas.

Os responsáveis pela iniciativa afirmam que o abaixo-assinado ultrapassou a marca de 10 milhões de adesões. O número, exibido e divulgado pela própria campanha, não conta com auditoria pública independente que permita confirmar quantas assinaturas correspondem a pessoas diferentes ou verificar integralmente o método utilizado na contagem.

Um dia antes, veículos internacionais informavam que a mobilização reunia mais de 6 milhões de apoios. A rápida mudança mostra o alcance alcançado pela campanha, mas também reforça a necessidade de apresentar os números como uma alegação dos organizadores, e não como um dado oficialmente certificado.

O site Argentina Out declara não possuir vínculo com a FIFA, federações nacionais ou jogadores. A página acusa diretamente a entidade e os árbitros de beneficiarem a atual campeã mundial, mas não apresenta documentos, comunicações internas ou outras provas capazes de demonstrar uma interferência deliberada nos resultados.

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A repercussão aumentou após partidas eliminatórias marcadas por gols anulados, pedidos de pênalti, revisões do árbitro de vídeo e decisões disciplinares contestadas pelos adversários.

A mobilização, entretanto, não possui força jurídica ou esportiva para retirar uma seleção da competição. Uma exclusão dependeria de procedimento conduzido pelos órgãos da FIFA, com a identificação de uma infração prevista nos regulamentos e a apresentação de elementos concretos que sustentassem uma punição.

Petição cresce após jogos contestados

Um dos principais argumentos utilizados pelos críticos surgiu na vitória da Argentina por 3 a 2 sobre o Egito, pelas oitavas de final. A equipe africana abriu dois gols de vantagem, mas sofreu três nos minutos finais e acabou eliminada.

A Federação Egípcia de Futebol apresentou uma reclamação formal à FIFA. Entre os episódios questionados estavam a anulação de um gol de Mostafa Zico e a decisão de não marcar um pênalti em Mohamed Salah pouco antes do gol que definiu a classificação argentina.

O técnico Hossam Hassan também levantou suspeitas sobre uma possível pressão para manter Messi no torneio. As declarações ajudaram a ampliar a repercussão internacional do caso, especialmente nas redes sociais.

A FIFA rejeitou a acusação. Pierluigi Collina, presidente do Comitê de Árbitros da entidade, afirmou que os profissionais trabalham com independência e não recebem interferência de dirigentes ou interesses comerciais.

Collina também defendeu as duas decisões mais contestadas. Segundo ele, a revisão que anulou o gol egípcio identificou uma infração no início da jogada. No lance envolvendo Salah, o chefe da arbitragem considerou que houve um contato normal de jogo, insuficiente para a marcação da penalidade.

A Argélia já havia apresentado outra reclamação durante a fase de grupos. A federação questionou a ausência de punição a Messi por um lance envolvendo o capitão Aissa Mandi, além de uma possível agressão atribuída a Alexis Mac Allister.

Messi permaneceu em campo e marcou três gols na vitória argentina por 3 a 0. O episódio foi incorporado pelos críticos à relação de decisões que teriam beneficiado a equipe durante a campanha.

A insatisfação ganhou ainda mais força nas quartas de final, quando a Argentina derrotou a Suíça por 3 a 1 na prorrogação.

Breel Embolo foi expulso após uma intervenção do VAR que modificou a interpretação inicial do árbitro João Pinheiro. O juiz havia mostrado cartão amarelo ao argentino Leandro Paredes, mas foi chamado para revisar a jogada com base em uma aplicação ampliada do protocolo de identidade equivocada.

Depois de assistir ao vídeo, o árbitro concluiu que Embolo havia simulado o contato, retirou a punição de Paredes e aplicou o cartão ao atacante suíço. Como o jogador já havia sido advertido anteriormente, recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

A Suíça precisou atuar com dez jogadores durante 67 minutos, incluindo toda a prorrogação. A Argentina aproveitou a superioridade numérica e marcou duas vezes no tempo extra.

O treinador suíço Murat Yakin classificou a aplicação da regra como incompreensível e afirmou que a decisão interferiu diretamente no resultado. Jogadores da equipe também cobraram uma explicação da FIFA.

A regra havia sido ampliada antes da Copa para permitir que o VAR corrigisse situações nas quais o cartão fosse aplicado a um jogador, mas a possível infração tivesse sido cometida pelo adversário. Embora a FIFA considere a utilização prevista no protocolo, críticos avaliam que a mudança transformou o VAR em uma ferramenta capaz de reavaliar integralmente lances inicialmente interpretados pelo árbitro.

FIFA rejeita acusação de favorecimento

A sequência de controvérsias levou torcedores a popularizarem nas redes sociais a expressão “VARgentina”, combinação entre o nome do país e a sigla do árbitro de vídeo.

A expressão não comprova a existência de fraude ou favorecimento. Ela representa a percepção de parte do público de que decisões importantes acabaram beneficiando a Argentina em diferentes momentos da competição.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional também fizeram distinção entre possíveis erros, interpretações discutíveis e uma suposta manipulação organizada.

A ex-árbitra da FIFA Christina Unkel, por exemplo, avaliou que parte das decisões envolvendo a Argentina estava dentro dos protocolos adotados. A especialista, porém, criticou a ampliação da atuação do VAR e alertou que a reavaliação excessiva dos lances pode prejudicar a credibilidade da arbitragem.

A discussão não está limitada aos jogos argentinos. A Copa de 2026 registra críticas de treinadores e jogadores de diferentes seleções sobre a interferência da tecnologia, a quantidade de cartões e a dificuldade para compreender os critérios adotados.

A adoção de novas interpretações justamente durante o maior torneio de seleções aumentou a confusão. Lances mínimos detectados por sensores, revisões de infrações ocorridas no início das jogadas e mudanças em decisões disciplinares passaram a ter impacto direto em partidas eliminatórias.

Collina mantém a posição de que os árbitros selecionados para a Copa possuem nível internacional e atuam sem interferência externa. O dirigente também afirmou que acusações sem provas podem colocar os profissionais em risco e prejudicar a confiança no futebol.

Até o momento, não há informação sobre a abertura de um procedimento disciplinar contra a Argentina por manipulação de resultados. Também não foram divulgados elementos que relacionem dirigentes da seleção, jogadores ou integrantes da FIFA a uma tentativa de alterar deliberadamente os resultados.

Mobilização não produz exclusão automática

Mesmo que a campanha reúna milhões de adesões, o número de assinaturas não substitui a necessidade de provas.

Uma petição criada fora das estruturas da FIFA pode exercer pressão pública, estimular debates e levar a entidade a prestar esclarecimentos. Ela não tem, contudo, competência para modificar resultados homologados ou determinar a retirada de uma seleção.

Erros de arbitragem, quando reconhecidos, também não costumam provocar a repetição de partidas ou a exclusão de equipes. Para uma punição dessa gravidade, seria necessário demonstrar uma infração disciplinar, fraude, combinação de resultado, participação irregular de jogadores ou outra violação prevista nas regras da competição.

Os organizadores do movimento defendem a divulgação das conversas entre árbitros e operadores do VAR e pedem uma investigação sobre as decisões contestadas. A maior transparência nas revisões tem sido uma cobrança recorrente de atletas, treinadores e torcedores ao longo do Mundial.

A FIFA passou a anunciar publicamente algumas decisões tomadas após a consulta ao monitor, mas as comunicações completas entre a equipe de arbitragem ainda não são disponibilizadas ao público em tempo real.

Para os defensores da Argentina, a campanha representa uma tentativa de deslegitimar os resultados de uma seleção que chegou ao torneio como atual campeã mundial e uma das favoritas ao título.

Integrantes da equipe argentina afirmam que as reclamações fazem parte da pressão existente sobre seleções vitoriosas. Lionel Scaloni e seus jogadores rejeitam a ideia de que a trajetória tenha sido construída por interferências externas.

Argentina segue normalmente na competição

Apesar do alcance da petição, a Argentina continua regularmente inscrita na Copa e chegou à semifinal contra a Inglaterra, marcada para esta quarta-feira (15), em Atlanta.

A partida define o adversário da Espanha na decisão do Mundial. A seleção espanhola derrotou a França por 2 a 0 na outra semifinal e garantiu sua primeira participação em uma final desde o título conquistado em 2010.

O confronto entre argentinos e ingleses também recupera uma das rivalidades mais marcantes da história das Copas. Além da relação política ligada à Guerra das Malvinas, as seleções protagonizaram jogos cercados por episódios históricos, como o gol conhecido como “Mão de Deus”, marcado por Diego Maradona em 1986.

A pressão sobre a arbitragem deverá permanecer independentemente do resultado. Qualquer intervenção do VAR, expulsão, gol anulado ou pedido de pênalti tende a ser analisado sob o ambiente de desconfiança criado durante as fases anteriores.

A campanha digital mostra que parte do público perdeu confiança na maneira como as decisões são explicadas. Isso não significa, entretanto, que as acusações de favorecimento tenham sido comprovadas.

Enquanto os organizadores pedem a expulsão da Argentina e maior transparência da FIFA, a seleção permanece na disputa pelo título. Dentro das regras atuais, somente provas concretas e um processo disciplinar formal poderiam transformar a contestação das redes sociais em uma consequência esportiva.

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