Em meio ao debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil, uma experiência adotada no setor de alimentação vem chamando atenção pelos resultados positivos tanto para a empresa quanto para os funcionários.
A Coffee Lab, escola de baristas e gestão de cafeterias fundada em 2004, implementou em 2025 uma escala de trabalho de quatro dias com três de folga (4×3), mantendo a carga semanal de 40 horas. A mudança reorganizou a rotina da equipe sem alterar estrutura, cardápio ou preços.
Segundo a fundadora Isabela Raposeiras, a decisão partiu da ideia de que o descanso impacta diretamente o desempenho profissional. Ao longo de 2025, a empresa registrou um crescimento de 35% no faturamento, enquanto o setor de alimentação enfrentou queda média de 22% no mesmo período.
A empresária afirma que o aumento de produtividade está ligado ao bem-estar dos funcionários, que passaram a ter mais tempo de descanso e chegam ao trabalho mais motivados e atentos. O reflexo é sentido principalmente no atendimento ao público, considerado essencial na atividade.
Outro impacto importante foi a redução da rotatividade. O índice de turnover caiu para cerca de 8%, diminuindo custos com contratações, demissões e treinamentos. A empresa também deixou de depender de mão de obra temporária, já que houve queda nas faltas e afastamentos.
Entre os colaboradores, a mudança também trouxe efeitos significativos. Uma funcionária que anteriormente trabalhava no modelo 6×1 relatou que o antigo regime não permitia descanso real, afetando a saúde física e mental, com episódios de estresse e esgotamento.
Com a nova escala, ela afirma ter recuperado qualidade de vida, passando a ter mais tempo para estudos, lazer, convívio social e cuidados pessoais. O menor número de deslocamentos também contribuiu para reduzir o desgaste diário.
A experiência reforça o debate sobre novas formas de organização do trabalho, mostrando que jornadas mais curtas podem impactar positivamente tanto a produtividade quanto o bem-estar. O tema ganha força no país em meio às discussões no Congresso sobre o fim da escala 6×1 e a redução da carga horária semanal.
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