Os Correios podem receber um novo aporte bilionário do governo federal diante da deterioração de suas contas. A União estuda a possibilidade de destinar até R$ 6 bilhões à estatal para conter o avanço do déficit projetado para os próximos anos. A decisão ainda não foi tomada e dependerá da efetividade das medidas de reestruturação já implementadas.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que o governo acompanha a execução do plano de recuperação financeira antes de definir o formato do socorro. Segundo ela, o aporte poderá ocorrer ainda em 2026, em 2027 ou de maneira escalonada, conforme os resultados apresentados pela empresa.
A expectativa é que a estatal consiga reduzir despesas operacionais, ampliar receitas e diminuir a necessidade de recursos do Tesouro. No entanto, os números mais recentes indicam um cenário preocupante.
Projeções internas da Diretoria Econômico-Financeira dos Correios apontam que o prejuízo pode alcançar R$ 9,1 bilhões em 2026. Caso se confirme, será o maior déficit da história da companhia. Em 2025, o rombo já havia atingido R$ 5,8 bilhões.
Para reforçar o caixa, a empresa contratou no fim do ano passado um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander, com garantia do Tesouro Nacional. Ainda assim, a estimativa de necessidade total de recursos gira em torno de R$ 20 bilhões, o que deixa uma diferença significativa a ser equacionada.
Como parte do processo de ajuste, os Correios iniciaram a venda de imóveis considerados não estratégicos. A primeira rodada de leilões ocorre em fevereiro, com 21 propriedades disponíveis em diferentes estados. A meta é arrecadar até R$ 1,5 bilhão com a alienação de aproximadamente 60 ativos ao longo do ano.
O plano de reestruturação também prevê um programa de demissão voluntária que pode alcançar até 15 mil empregados, fechamento de cerca de mil agências com baixo desempenho financeiro e revisão de contratos, incluindo planos de saúde e previdência complementar.
A direção da estatal trabalha com a meta de recuperar o equilíbrio financeiro até 2026 e voltar a registrar lucro a partir de 2027. Enquanto isso, o governo avalia o custo político e fiscal de um novo socorro à empresa em meio a um cenário de restrição orçamentária.
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