Em meio a um cenário internacional ainda pressionado pela guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre o preço do petróleo e da inflação global, o Comitê de Política Monetária se reúne nesta quarta-feira (29) para definir o novo patamar da taxa básica de juros da economia brasileira.
A decisão será divulgada no início da noite e ocorre em um ambiente de incerteza sobre os próximos passos da política monetária.
Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, após ter atingido 15% no ciclo recente de aperto monetário, o maior nível em quase duas décadas.
Apesar das incertezas, parte do mercado financeiro ainda projeta uma possível redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa para 14,5% ao ano, segundo o boletim Focus.
A reunião também ocorre com mudanças na composição do colegiado. Dois diretores tiveram seus mandatos encerrados no fim de 2025 — o de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e o de Política Econômica, Paulo Pichetti — e ainda não foram substituídos pelo governo.
Além disso, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, não participará da reunião por motivo pessoal, reduzindo temporariamente o número de integrantes presentes na decisão.
Nas comunicações mais recentes, o Copom evitou indicar de forma clara os próximos passos do ciclo de juros.
Na ata anterior, o comitê afirmou que a trajetória da Selic dependerá da evolução dos dados econômicos e do cenário inflacionário, especialmente diante das incertezas externas.
A inflação segue como principal ponto de atenção. O IPCA-15 registrou alta de 0,89% em abril, com pressão de combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,37%, acima do mês anterior.
As projeções do mercado também foram revisadas. O boletim Focus estima inflação de 4,86% para 2026, influenciada pelos impactos do cenário internacional sobre os preços de energia, especialmente no contexto de instabilidade geopolítica no Oriente Médio.
A Selic é o principal instrumento de controle da inflação no Brasil. Quando elevada, tende a encarecer o crédito e reduzir o consumo, ajudando a conter os preços.
Já cortes na taxa costumam estimular a atividade econômica, embora com menor pressão sobre a inflação.
O Copom realiza suas reuniões a cada 45 dias em um processo dividido em duas etapas: análise técnica da economia no primeiro dia e decisão final sobre os juros no segundo.
O modelo de meta contínua de inflação, em vigor desde 2025, passou a considerar a variação acumulada em 12 meses para avaliação do cumprimento da meta, tornando o acompanhamento mais dinâmico.
Com o cenário externo instável e sinais mistos da economia interna, a decisão desta quarta-feira é acompanhada de perto pelo mercado, que busca indicações sobre o ritmo futuro da política de juros no país.
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