O banco que antes dependia de agência, fila e atendimento presencial agora cabe na palma da mão. A rotina financeira dos brasileiros passou por uma transformação profunda nos últimos anos, e o celular se tornou o principal caminho para pagar contas, consultar saldo, fazer transferências, usar o Pix, contratar produtos e acompanhar gastos.
Essa mudança de comportamento foi reforçada pela nova edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, divulgada nesta sexta-feira (26).
O levantamento, realizado pela Deloitte para a Federação Brasileira de Bancos, mostra que o mobile banking se consolidou como o canal mais usado pelos clientes no país.
Em 2025, aproximadamente 8 em cada 10 transações bancárias feitas no Brasil ocorreram pelo celular. Quando considerados todos os canais digitais, incluindo o internet banking, a participação chega a 83% das operações realizadas no sistema bancário.
Ao todo, os brasileiros fizeram 240,8 bilhões de transações bancárias no ano passado. Desse total, 187,5 bilhões foram realizadas por meio de aplicativos no celular. Os números revelam que o smartphone deixou de ser apenas uma ferramenta de consulta e passou a ocupar papel central na vida financeira da população.
A mudança aparece no cotidiano de milhões de clientes. A servidora pública Jéssica Lima, de 34 anos, moradora de Brasília, afirma que há cerca de dez anos não precisa ir a uma agência bancária para resolver suas demandas. Pagamentos, transferências, Pix e outras operações são feitos pela internet sempre que possível.
A praticidade é um dos principais motivos para essa preferência. Pelo aplicativo, o cliente consegue acessar serviços a qualquer hora, sem depender do horário de funcionamento das agências.
Em um único ambiente digital, é possível consultar saldo, pagar boletos, transferir dinheiro, acompanhar gastos, investir e contratar produtos financeiros.
Para o setor bancário, a expansão do mobile banking representa uma mudança estrutural. O banco deixou de ser visto apenas como um espaço físico e passou a estar presente de forma contínua na rotina dos clientes. A agência, que antes era o principal ponto de contato, perdeu espaço para a tela do celular.
Nos últimos cinco anos, o crescimento das operações pelo celular foi expressivo. Entre 2021 e 2025, o número de transações por mobile banking avançou 169%, passando de cerca de 70 bilhões para 187,5 bilhões de operações. O salto mostra que a digitalização bancária não é mais uma tendência futura, mas uma realidade consolidada.
O Pix teve papel decisivo nesse processo. O sistema de pagamentos instantâneos impulsionou o uso dos canais digitais e ampliou a frequência de acesso aos aplicativos bancários. Nas transações com movimentação financeira, as operações via Pix cresceram tanto no mobile banking quanto no internet banking.
Pelo celular, as transações com Pix tiveram alta de 19%. No internet banking, o avanço foi ainda maior, chegando a 53%. A facilidade de transferir valores em poucos segundos, a qualquer hora do dia, ajudou a transformar o Pix em uma das principais ferramentas financeiras do país.
O sistema também ganhou força no comércio. Nas maquininhas, o Pix passou a disputar espaço com cartões, dinheiro em espécie e outras formas tradicionais de pagamento. Para consumidores e lojistas, a confirmação rápida da transação e a ampla aceitação contribuíram para a popularização da modalidade.
A digitalização, porém, também aumenta os desafios para os bancos. Com mais operações feitas pela internet, cresce a necessidade de reforçar investimentos em segurança, infraestrutura tecnológica e inovação. A proteção contra golpes, fraudes e ataques cibernéticos se tornou uma prioridade permanente para o setor.
Segundo a Febraban, o orçamento de tecnologia da informação dos bancos cresceu 58% nos últimos cinco anos. A previsão é que os investimentos cheguem a R$ 50,4 bilhões em 2026, um aumento de 8% em relação a 2025.
Entre as áreas consideradas prioritárias estão cibersegurança, computação em nuvem e inteligência artificial generativa. A segurança digital aparece como preocupação central diante do aumento do volume de transações e da expansão dos serviços financeiros online.
A computação em nuvem ganha importância por permitir maior capacidade de processamento, agilidade e eficiência operacional. Já a inteligência artificial generativa começa a ser usada como ferramenta estratégica para melhorar o atendimento, automatizar processos, personalizar serviços e aumentar a produtividade.
A pesquisa também mostra que os bancos estão redesenhando sua forma de relacionamento com os clientes. Em vez de depender exclusivamente do atendimento presencial, as instituições passam a oferecer jornadas digitais mais completas, com serviços disponíveis em tempo integral.
Ainda assim, as agências físicas não desaparecem. A tendência é que elas assumam um papel mais consultivo, voltado a atendimentos específicos, negociações complexas, orientação financeira e serviços que exigem contato mais personalizado.
A 34ª edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária foi realizada em duas etapas, entre dezembro de 2025 e abril de 2026. O levantamento ouviu mais de 20 bancos, que representam mais de 80% dos ativos do sistema bancário brasileiro.
Os resultados confirmam que o celular se tornou a principal porta de entrada dos brasileiros para os serviços financeiros. A transformação digital avança em ritmo acelerado e muda não apenas o modo de fazer transações, mas também a forma como a população organiza sua vida financeira.
O desafio daqui para frente será equilibrar conveniência, inovação e proteção. Para os bancos, será necessário ampliar a segurança, combater fraudes e garantir inclusão digital. Para os clientes, o celular seguirá cada vez mais como a agência bancária de uso diário.
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